Itália procurou evitar uma ruptura diplomática com o Egipto
Roma — A Itália procurou esta terça-feira evitar uma ruptura diplomática com o Egipto, depois de um tribunal de Roma ter condenado, à revelia, três agentes de segurança egípcios pelo rapto de Giulio Regeni, estudante italiano morto depois do seu desaparecimento no Cairo, em 2016.
O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, sublinhou que a decisão judicial condenou três indivíduos e não o Estado egípcio, numa declaração que evidencia a intenção de separar o processo judicial das relações bilaterais.
Regeni, estudante de pós-graduação da Universidade de Cambridge, desapareceu na capital egípcia a 25 de Janeiro de 2016. O seu corpo foi encontrado quase uma semana depois, tendo a autópsia revelado sinais de tortura.
O tribunal de Roma condenou três altos funcionários egípcios pelo rapto, absolveu um quarto arguido e retirou uma acusação de homicídio contra um dos membros do grupo.
O Egipto recusou cooperar com o julgamento e não revelou o paradeiro dos acusados. As autoridades egípcias também negaram qualquer envolvimento do Estado na morte de Regeni e ainda não tinham comentado publicamente a sentença quando a Reuters publicou a notícia.
O caso continua a constituir um ponto sensível nas relações entre os dois países. A Itália tem procurado, nos últimos anos, reforçar a cooperação com o Egipto em áreas como migração, segurança energética e estabilização do Norte de África e do Mediterrâneo Oriental.
No início de Setembro, Tajani esteve no Cairo para assinar acordos destinados a ampliar a cooperação bilateral, incluindo medidas relacionadas com o combate ao tráfico de pessoas e à migração irregular.
Enquanto sectores da oposição italiana criticaram a posição do Governo e defenderam uma resposta mais dura ao Cairo, o executivo de Giorgia Meloni mantém a estratégia de aprofundamento das relações com o Egipto. A sentença ainda pode ser objecto de recurso em dois graus, antes de se tornar definitiva.