Dangote reitera continuidade do projecto de refinaria no Quénia
Lamu — O grupo nigeriano Dangote afirmou esta terça-feira que uma decisão de um tribunal queniano sobre uma disputa relacionada com direitos fundiários não deverá impedir a cerimónia de lançamento da construção da refinaria de petróleo prevista para quarta-feira, embora possa afectar algumas actividades no local.
A refinaria, projectada para uma capacidade de 700 mil barris de petróleo por dia, será instalada em Lamu, na costa do Quénia.
A decisão judicial determina que seja mantida a situação existente no terreno até à audiência marcada para 14 de Outubro.
O processo foi instaurado por 133 residentes de Chandavai, no condado de Lamu, que alegam que a área destinada à construção integra o seu património ancestral e que as suas famílias vivem e desenvolvem actividades agrícolas no local há várias gerações.
O grupo Dangote declarou que, nesta fase, a decisão judicial não suspende a cerimónia de lançamento da obra. Contudo, reconheceu que determinadas actividades no terreno poderão ser afectadas enquanto o processo judicial estiver pendente.
Durante um encontro com investidores realizado em Nairobi, o empresário Aliko Dangote manifestou confiança na continuidade do projecto e afirmou que a decisão do tribunal não deverá impedir o avanço da refinaria.
A futura instalação pretende reproduzir parte da experiência da refinaria Dangote situada nas proximidades de Lagos, que contribuiu para transformar a posição da Nigéria de grande importador de combustíveis para um país com capacidade crescente de exportação.
Ao contrário da Nigéria, o Quénia não possui actualmente produção comercial de petróleo. A construção da refinaria é apresentada pelo grupo como um projecto de grande dimensão para a infraestrutura energética do país e para o desenvolvimento das actividades industriais associadas.
Dangote estima que a refinaria de Lamu terá um custo entre 15 mil milhões e 16 mil milhões de dólares e espera concluir a construção até 2030.
O grupo iniciou também este mês a oferta pública inicial de acções da refinaria situada na Nigéria, numa operação que a Reuters descreve como a maior venda de acções realizada até agora em África.