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África do Sul regista novos massacres com pelo menos 38 mortos

África do Sul regista novo fim-de-semana de massacres com pelo menos 38 mortos
África do Sul regista novo fim-de-semana de massacres com pelo menos 38 mortos Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h23 29/09/2026

Joanesburgo — A África do Sul foi atingida por uma nova vaga de tiroteios em massa que provocou pelo menos 38 mortos e cerca de 30 feridos em três ataques ocorridos durante a última semana, aumentando a preocupação das autoridades perante a violência armada e a criminalidade organizada no país.

O ataque com maior número de vítimas ocorreu na noite de sábado, 26 de Setembro, numa taberna de Wedela, município situado a cerca de 80 quilómetros de Joanesburgo. Oito homens armados com espingardas de assalto, incluindo AK-47, entraram no estabelecimento e abriram fogo contra os clientes. Inicialmente, a Polícia confirmou 17 mortos e 15 feridos.

O número de vítimas mortais aumentou posteriormente para 18, depois de uma pessoa ferida ter morrido no hospital. Entre os mortos encontram-se cidadãos sul-africanos e pelo menos dois nacionais do Lesotho. As autoridades ainda trabalhavam na identificação de todas as vítimas.

Segundo testemunhas citadas pela Reuters, os atacantes, alguns usando máscaras e casacos associados ao Lesotho, terão verificado os clientes antes de começarem a disparar. A Polícia investiga, entre outras possibilidades, uma disputa relacionada com actividades de mineração ilegal de ouro, sector dominado em algumas zonas por grupos criminosos conhecidos como zama zamas.

Poucas horas depois, outro ataque ocorreu em Lwandle, nos arredores da Cidade do Cabo. Homens armados abriram fogo num estabelecimento de entretenimento onde várias pessoas se encontravam durante a madrugada de domingo, provocando 10 mortos e 11 feridos. A Polícia abriu processos por homicídio e tentativa de homicídio.

As autoridades ainda não determinaram oficialmente o motivo do ataque em Lwandle. Uma das linhas de investigação mencionadas pela Polícia está relacionada com possíveis disputas comerciais entre estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas, embora essa hipótese permaneça sob investigação. Até às últimas informações disponíveis, não tinham sido anunciadas detenções relacionadas com o ataque.

Os dois ataques ocorreram poucos dias depois de outro tiroteio numa festa realizada nas proximidades de Durban, elevando para pelo menos 38 o número de mortos em três tiroteios em massa registados no espaço de seis dias. A sequência de ataques voltou a colocar a criminalidade violenta no centro do debate nacional.

O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os ataques e afirmou que a situação não pode continuar. O Governo tem procurado intensificar as operações contra organizações criminosas e o comércio ilegal de armas, tendo anteriormente recorrido às forças de defesa para apoiar a Polícia em algumas zonas afectadas pela criminalidade organizada.

Dados citados pela imprensa indicam que a África do Sul continua entre os países com taxas de homicídio mais elevadas do mundo. A DW, citando os últimos dados oficiais, refere, contudo, que os homicídios registaram uma redução de 5,9%, embora cerca de 60 pessoas continuem a ser mortas diariamente no país.

Um levantamento da Iniciativa Global Contra Crime Transacional Organizado, citado pelo jornal The EastAfrican indica que pelo menos 196 pessoas morreram em 41 ataques classificados como tiroteios em massa na África do Sul ao longo deste ano. Os números ilustram a dimensão do problema da violência armada e da criminalidade organizada que as autoridades procuram combater.

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