ECONOMIA
União Africana decide criar Agência de Notação Financeira do continente
20/09/2026 15h45
Addis Abeba – A União Africana (UA) avançou com a criação da Agência Africana de Notação Financeira (AfCRA), uma iniciativa destinada a fornecer avaliações de risco de crédito mais adaptadas às realidades económicas do continente e a reduzir a dependência das grandes agências internacionais de notação financeira.
A nova instituição está a ser desenvolvida pelo Mecanismo Africano de Revisão pelos Pares (APRM), órgão da União Africana encarregado de promover a boa governação e a responsabilização entre os Estados-membros.
A agência terá sede nas Maurícias e funcionará como uma entidade independente liderada pelo sector privado, apesar do apoio institucional da organização continental.
Segundo responsáveis africanos, a AfCRA pretende responder às preocupações de vários países do continente relativamente à alegada sobrevalorização dos riscos africanos por parte das principais agências internacionais de notação financeira.
O objectivo é produzir análises que tenham em conta as especificidades económicas, os programas de reforma e as prioridades de desenvolvimento dos Estados africanos.
A União Africana considera que a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para reforçar a soberania financeira do continente e melhorar o acesso dos países africanos aos mercados internacionais de capitais. A agência deverá avaliar a capacidade de pagamento de Estados, governos locais e empresas africanas.
Especialistas indicam que as classificações de risco influenciam directamente os custos de financiamento, o interesse dos investidores e a capacidade dos governos de mobilizarem recursos para projectos de desenvolvimento.
Por essa razão, vários dirigentes africanos defendem uma maior participação do continente na definição dos critérios utilizados para avaliar as suas economias.
A criação da AfCRA surge num contexto em que os mercados financeiros africanos procuram ganhar maior profundidade e visibilidade internacional.
A agência deverá iniciar plenamente as suas operações durante 2026, constituindo um dos principais projectos da União Africana no domínio da arquitectura financeira continental.