Quénia aplica 2,62 mil milhões de dólares do fundo de infra-estruturas
Nairobi — O Fundo Nacional de Infra-estruturas do Quénia começou a utilizar o seu capital inicial de 340 mil milhões de xelins quenianos, equivalente a cerca de 2,62 mil milhões de dólares, através da aquisição de obrigações do Governo, numa estratégia destinada a aumentar a liquidez dos bancos e estimular o financiamento ao sector privado.
A operação foi anunciada pelo director-geral do fundo, James Mworia, e enquadra-se na estratégia do Presidente William Ruto para financiar grandes projectos de infra-estruturas sem aumentar excessivamente a dívida pública. O fundo pretende utilizar os recursos disponíveis para apoiar investimentos economicamente viáveis em sectores considerados estratégicos.
Entre as áreas prioritárias encontram-se a energia, os transportes, as tecnologias de informação e comunicação, a agricultura e os recursos hídricos. A estratégia pretende mobilizar capital privado para projectos que possam gerar receitas e, simultaneamente, contribuir para o crescimento económico do país.
O fundo prevê obter cerca de 42 mil milhões de xelins por ano através da sua carteira de obrigações. A intenção das autoridades é utilizar todo o capital inicial até Junho de 2027, num período em que o Governo procura reduzir a pressão sobre o orçamento público e encontrar novas formas de financiar infra-estruturas.
O endividamento constitui uma das principais preocupações das autoridades quenianas. O serviço da dívida consome actualmente cerca de 40% das receitas do Governo, limitando a capacidade do Estado para financiar novos projectos exclusivamente através de empréstimos.
O capital inicial do fundo resultou, entre outras fontes, da privatização da Kenya Pipeline Company e da venda parcial de acções da Safaricom. O Governo pretende utilizar activos públicos e receitas de privatizações para criar uma base de financiamento destinada a investimentos de longo prazo.
O fundo está também a analisar a possibilidade de adquirir uma participação no projecto da refinaria liderada pelo grupo Dangote em Lamu. O empreendimento, avaliado em cerca de 16 mil milhões de dólares, poderá transformar o Quénia num importante centro regional de refinação e distribuição de produtos petrolíferos.
As autoridades quenianas procuram ainda atrair investidores nacionais e internacionais para ajudar a mobilizar 3,6 biliões de xelins ao longo dos próximos dez anos.
Se o plano for concretizado, o fundo poderá tornar-se um dos principais instrumentos de financiamento de infra-estruturas do país e reduzir a dependência de dívida pública.