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Naufrágio ao largo do Djibuti provoca mais de uma centena de mortos


Naufrágio ao largo do Djibuti provoca mais de uma centena de mortos
Naufrágio ao largo do Djibuti provoca mais de uma centena de mortos Imagens: DR

Redacção

Publicado às 21h02 11/10/2026 - Actualizado às 21h02 11/10/2026

Djibuti — Pelo menos 109 migrantes, incluindo 15 crianças, morreram depois de uma embarcação sobrelotada naufragar ao largo da costa do Djibuti, quando seguia em direcção ao Iémen.

Mais de 116 pessoas continuam desaparecidas, enquanto as equipas de busca e salvamento prosseguem as operações, segundo informações divulgadas este domingo pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O acidente ocorreu na noite de 8 de Outubro, nas proximidades de Guhere, na costa oriental do Djibuti, perto da cidade portuária de Obock. A embarcação transportava cerca de 350 pessoas e virou pouco depois de iniciar a travessia marítima, de acordo com os relatos dos sobreviventes recolhidos pela OIM.

Entre os sobreviventes, mais de 80 pessoas conseguiram chegar a terra com vida. Todos os sobreviventes identificados nas informações divulgadas eram cidadãos etíopes. Vários receberam assistência médica e apoio psicológico num centro de acolhimento para migrantes em Obock.

As autoridades do Djibuti continuam as operações de busca, numa tentativa de localizar as pessoas desaparecidas. A dimensão da tragédia e o elevado número de vítimas colocaram dificuldades às equipas locais, enquanto a identificação dos corpos permanece uma preocupação para as autoridades e as organizações humanitárias.

A Organização Internacional para as Migrações lamentou a perda de vidas e alertou para os perigos enfrentados por milhares de migrantes que atravessam esta região em busca de trabalho, segurança e melhores condições de vida. A organização apelou igualmente ao reforço dos meios de salvamento e à criação de vias de migração seguras e regulares.

A travessia entre o Corno de África e o Iémen, através do estreito de Bab el-Mandeb, constitui uma das rotas migratórias mais perigosas da região. Apesar dos riscos, muitos migrantes provenientes da Etiópia e de outros países africanos continuam a utilizar esta passagem para tentar chegar aos países do Golfo, onde procuram oportunidades de emprego.

A situação é agravada pela instabilidade no Iémen, onde a intensificação dos confrontos armados e a deterioração das condições humanitárias aumentaram os perigos para quem atravessa a região.

O próprio Djibuti também recebe pessoas que fogem do conflito iemenita, tornando o país simultaneamente um ponto de partida e de acolhimento de migrantes.

Segundo a OIM, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram nesta rota durante o ano passado. A agência das Nações Unidas considera que o naufrágio reforça a urgência de medidas internacionais para prevenir novas tragédias e combater as redes de tráfico e exploração de pessoas.

Nota sobre os números: os balanços divulgados pelas fontes internacionais apresentam diferenças. A Al Jazeera e a DW referem 109 mortos e 116 desaparecidos, enquanto a Associated Press publicou um balanço posterior de pelo menos 139 mortos, com base nos corpos sepultados pelas autoridades locais. Os números poderão ser actualizados à medida que a identificação das vítimas e as operações de busca prosseguirem.

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