Quénia procura novo financiamento para apoiar o OGE
Nairóbi — O Quénia está a negociar novas fontes de financiamento junto de instituições financeiras multilaterais, incluindo o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento, com o objectivo de reforçar o financiamento do Orçamento do Estado durante o actual exercício económico.
A informação foi avançada esta sexta-feira pelo governador do Banco Central do Quénia, Kamau Thugge, em declarações à agência Reuters, à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, realizadas em Banguecoque, na Tailândia.
Segundo o responsável, as negociações abrangem diferentes instrumentos de apoio financeiro, entre os quais uma possível operação do Banco Mundial destinada a apoiar reformas e políticas públicas.
O Governo queniano pretende mobilizar recursos externos para responder às necessidades orçamentais, reduzindo a pressão sobre as fontes internas de financiamento e preservando a capacidade de intervenção do Estado na economia.
Entre as alternativas em análise figura igualmente uma possível operação de conversão de dívida em apoio alimentar.
Este mecanismo poderá permitir a articulação entre obrigações financeiras e programas de assistência alimentar, embora Thugge não tenha avançado pormenores sobre a modalidade em discussão nem confirmado a sua concretização.
O país poderá também beneficiar de cerca de 400 milhões de dólares norte-americanos em financiamento de emergência do Banco Mundial, destinado a responder a riscos relacionados com a saúde pública e as alterações climáticas.
Entre as preocupações mencionadas estão as ameaças sanitárias na região e os efeitos de fenómenos meteorológicos adversos sobre as comunidades, a produção agrícola e os serviços essenciais.
No domínio monetário, o Banco Central mantém-se atento à evolução dos preços dos combustíveis e às tensões geopolíticas no Médio Oriente, factores que podem aumentar os custos de importação e alimentar a inflação.
Em sentido contrário, a descida dos preços dos produtos alimentares poderá atenuar parte dessas pressões no curto prazo. A taxa directora foi mantida em 8,75 por cento.
As projecções do Banco Central apontam para um crescimento económico de cinco por cento em 2026 e de 5,3 por cento em 2027. A agricultura, a indústria e os serviços deverão contribuir para esse desempenho.
Uma equipa do Fundo Monetário Internacional deverá deslocar-se a Nairóbi em Dezembro para uma avaliação económica regular, num contexto em que o Governo procura equilibrar as necessidades de financiamento, a sustentabilidade da dívida e o crescimento económico.