FMI prevê crescimento económico de 4,5% na África Subsaariana em 2026
Banguecoque — O Fundo Monetário Internacional elevou de 4,3 para 4,5 por cento a previsão de crescimento económico da África Subsaariana em 2026, reconhecendo a capacidade de resistência das economias da região perante os choques internacionais, mas alertando para o aumento das pressões inflacionistas e das dificuldades financeiras.
Segundo a instituição, os ajustamentos nas cadeias de abastecimento mundiais e as reformas económicas implementadas em vários países contribuíram para melhorar as perspectivas de crescimento.
Ainda assim, o desempenho regional continua condicionado pelas tensões geopolíticas, pelos custos da energia e pelas limitações no financiamento do desenvolvimento.
O FMI prevê que a inflação mediana da região aumente de 3,4 por cento, em 2025, para 5 por cento em 2027.
Esta tendência poderá obrigar vários bancos centrais a adoptar políticas monetárias mais restritivas, com possíveis consequências para o crédito, o investimento privado e o consumo das famílias.
A instituição alertou igualmente para o peso crescente do serviço da dívida pública. Os pagamentos de juros e outras obrigações absorvem uma parcela significativa das receitas dos governos, reduzindo os recursos disponíveis para infra-estruturas, educação, saúde e programas de protecção social.
Outro factor de preocupação é a diminuição da ajuda internacional ao desenvolvimento. A redução dos recursos externos limita a capacidade de vários países financiarem projectos estruturantes, sobretudo nas economias mais vulneráveis a choques externos e às oscilações dos preços das matérias-primas.
As alterações climáticas também constituem um risco importante. O eventual desenvolvimento de um fenómeno El Niño poderá prejudicar a produção agrícola, agravar a insegurança alimentar e pressionar os preços dos produtos essenciais em diferentes partes do continente.
Apesar destes constrangimentos, o FMI considera que existem oportunidades associadas à transformação digital, à inteligência artificial e ao aproveitamento local dos recursos naturais.
A concretização dessas oportunidades dependerá da qualidade das políticas públicas, do investimento produtivo e da capacidade de transformar o crescimento económico em melhores condições de vida.