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Joseph Kabila assume liderança de uma coligação rebelde na RDC

Joseph Kabila assume liderança de uma coligação rebelde na RDC
Joseph Kabila assume liderança de uma coligação rebelde na RDC Imagens: DR

Redacção

Publicado às 18h20 16/10/2026

Kinshasa — O antigo Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, assumiu a liderança de uma coligação rebelde que actua no leste do país, numa alteração política que poderá influenciar a evolução do conflito armado e as negociações para a paz.

A mudança foi noticiada esta sexta-feira pela Reuters, que indica que a aliança anunciou igualmente uma nova designação, passando a apresentar-se como Refoundation of the Nation, ou Refundação da Nação, identificada pela sigla FRN.

A coligação reúne a estrutura político-militar Alliance Fleuve Congo e o movimento armado M23, que mantém uma presença significativa em zonas do leste congolês.

A nova designação procura transmitir uma imagem de movimento de dimensão nacional, em vez de uma organização limitada a determinadas províncias. A intenção declarada é contestar o poder do actual Presidente, Félix Tshisekedi, a quem os rebeldes acusam de corrupção e de adoptar políticas discriminatórias.

Kabila dirigiu a República Democrática do Congo entre 2001 e 2019. A sua entrada na liderança da coligação confere ao movimento uma figura com experiência presidencial e relações políticas construídas ao longo de vários anos. Os analistas citados pela Reuters consideram que esta mudança poderá aumentar a capacidade dos rebeldes para procurar apoio fora das áreas onde operam actualmente.

Contudo, a influência política do antigo Chefe de Estado permanece incerta. Kabila deixou o poder num contexto de forte contestação e enfrenta acusações graves, incluindo acusações de traição e corrupção, que rejeita ou que são objecto de disputas políticas e judiciais.

A sua capacidade de mobilizar novos apoiantes dependerá, em parte, da forma como a população e os actores políticos interpretarem a sua participação na insurreição.

A estrutura de comando da coligação não sofreu uma transformação completa. Corneille Nangaa e Bertrand Bisimwa mantêm posições de destaque na direcção política, enquanto Sultani Makenga continua associado ao comando da componente armada.

Esta continuidade sugere que a mudança poderá ter sobretudo uma dimensão política e estratégica, sem representar necessariamente uma alteração imediata das operações militares no terreno.

A evolução da coligação ocorre num cenário de prolongada instabilidade no leste da República Democrática do Congo, marcado por disputas de poder, tensões comunitárias e competição pelo controlo de recursos naturais.

Países ocidentais e peritos das Nações Unidas acusaram o Rwanda de apoiar o M23, alegações que Kigali rejeita. A coligação afirma que pretende continuar as conversações de paz mediadas pelo Qatar, mas a desconfiança entre as partes continua a dificultar uma solução duradoura.

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