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Presidente interina de Cabo Verde quer resultados das reformas da Justiça

Janira Hopffer Almada eleita Presidente do parlamento de Cabo Verde
Janira Hopffer Almada eleita Presidente do parlamento de Cabo Verde Imagens: DR

Redacção

Publicado às 20h50 17/10/2026 - Actualizado às 20h50 17/10/2026

Luanda - A Presidente Interina de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, considerou, esta sexta-feira, que as reformas legislativas na Justiça devem produzir resultados concretos na protecção dos direitos dos cidadãos, e apelou as instituições a garantirem a aplicação efectiva dos novos instrumentos legais no sistema.

No seu discurso na sessão solene de abertura do Ano Judicial 2026/2027, Janira Hopffer Almada sublinhou que a aprovação de novos diplomas não é suficiente para modernizar a justiça, sendo necessário garantir que as mudanças legislativas produzam efeitos reais na vida dos cidadãos.

Adiantou que a sua relevância deverá encontrar correspondência na aplicação, através de práticas institucionais capazes de realizar os objectivos que determinaram a sua aprovação, segundo despacho da Inforpress.

Entre as reformas destacadas, apontou o Código do Processo Administrativo, cuja entrada em vigor está prevista para 04 de Janeiro de 2027.

Considerou que o diploma pretende reforçar a protecção dos cidadãos, perante a Administração Pública e os mecanismos destinados a assegurar o cumprimento das decisões judiciais.

Segundo disse, o direito de obter uma decisão judicial deve ser acompanhado da possibilidade de a fazer executar, pelo que a preparação da aplicação do novo código será essencial para garantir uma melhoria efectiva da protecção jurídica.

Janira Hopffer Almada destacou igualmente os novos regimes de mediação e de constituição, funcionamento e supervisão dos centros de mediação e arbitragem, mecanismos que podem proporcionar soluções “mais céleres e menos onerosas” para a resolução de conflitos.

Estas alternativas, continuou, podem contribuir não apenas para reduzir a litigiosidade nos tribunais, mas também para preservar relações familiares, profissionais e comerciais, através do diálogo e do entendimento entre as partes.

Apelou, por isso, as instituições judiciárias, a advocacia, as autarquias, universidades, agentes económicos e organizações da sociedade civil a contribuírem para a consolidação destes mecanismos, garantindo a sua credibilidade e acessibilidade em todo o território nacional.

A concretização das reformas exige igualmente o reforço dos meios humanos, financeiros e tecnológicos, bem como a melhoria da gestão judiciária e dos serviços de inspecção, segundo a Presidente da República Interina.

Apesar dos investimentos realizados em infra-estruturas, equipamentos e qualificação dos recursos humanos, reconheceu que a morosidade processual continua a constituir uma das principais preocupações do sistema judicial cabo-verdiano.

Salientou que o combate à lentidão deve continuar a ser uma prioridade nacional, com respeito pelas garantias processuais e pela qualidade das decisões.

Considerou ainda que a demora na resolução dos processos afecta a protecção dos direitos dos cidadãos e a confiança nas instituições, daí alertar que uma resposta judicial tardia pode prolongar situações de insegurança e comprometer a utilidade das decisões.

Recorde-se que Janira Hopffer Almada é Presidente Interina uma vez que o Presidente José Maria Neves concorre a um segundo mandato, nas eleições presidenciais previstas para 15 de Novembro próximo.

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