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Confrontos entre grupos armados na fronteira da Etiópia com o Quénia

Confrontos entre grupos armados na fronteira da Etiópia e Quénia - Cruz Vermelha
Confrontos entre grupos armados na fronteira da Etiópia e Quénia - Cruz Vermelha Imagens: DR

Redacção

Publicado às 17h48 23/10/2026

Moyale — Centenas de cidadãos etíopes, sobretudo mulheres, crianças e jovens, atravessaram a fronteira para o Quénia na sequência de confrontos armados registados na cidade fronteiriça de Moyale, no sul da Etiópia.

Os combates começaram na quarta-feira, 21 de Outubro, e os disparos continuavam a ser ouvidos no dia seguinte, segundo informações divulgadas pelas autoridades quenianas e pela Cruz Vermelha do Quénia.

A localidade de Moyale encontra-se dividida pela fronteira entre os dois países, o que facilita a passagem de habitantes em busca de segurança quando a violência se intensifica do lado etíope. As famílias deslocadas procuraram abrigo junto de familiares e de outras pessoas nas comunidades quenianas vizinhas, enquanto as autoridades tentavam avaliar a dimensão da emergência humanitária.

A origem exacta dos confrontos ainda não tinha sido esclarecida pelas autoridades no momento da divulgação das primeiras informações. A violência ocorreu na região de Oromia, no sul da Etiópia, num contexto de tensões internas que continuam a afectar diversas zonas do país.

Até ao momento, não existiam informações confirmadas que permitissem atribuir a responsabilidade pelos disparos a uma das partes envolvidas.

Do lado queniano, as autoridades reforçaram a vigilância na região fronteiriça, depois de terem sido registados incidentes envolvendo balas perdidas. Uma mulher queniana foi atingida no pescoço e recebeu tratamento hospitalar, tendo o seu estado sido considerado estável. Também foram relatados danos materiais provocados por disparos que atingiram instalações locais.

A Cruz Vermelha do Quénia iniciou uma operação de assistência destinada, numa fase inicial, a mil agregados familiares afectados pela deslocação. A organização começou a preparar abrigos temporários e a distribuir bens essenciais, incluindo tendas, cobertores, esteiras, recipientes para água, utensílios de cozinha e farinha enriquecida para a preparação de papas.

A situação representa um desafio humanitário adicional para uma região que enfrenta dificuldades relacionadas com a segurança, a disponibilidade de alimentos e o acesso aos serviços básicos. A chegada repentina de famílias deslocadas aumenta a pressão sobre as comunidades de acolhimento, tornando necessária a coordenação entre as autoridades locais, as organizações humanitárias e os parceiros internacionais.

Os confrontos em Moyale devem ser distinguidos do conflito armado no norte da Etiópia, particularmente na região de Tigray, onde as forças federais e os combatentes ligados à Frente de Libertação do Povo do Tigray voltaram a protagonizar confrontos. Embora os dois focos de violência ocorram no mesmo país, as informações disponíveis não permitem concluir que estejam directamente relacionados.

As autoridades quenianas e as organizações humanitárias continuam a acompanhar a evolução da situação, enquanto cresce a preocupação com a possibilidade de novos deslocamentos caso a violência persista. A prioridade imediata consiste em proteger os civis, garantir abrigo e assistência alimentar às famílias afectadas e impedir que os confrontos se alastrem às comunidades situadas do lado queniano da fronteira.

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