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Djibouti pretende transformar zonas francas em centros de produção

Djibouti pretende transformar zonas francas em centros de produção industrial
Djibouti pretende transformar zonas francas em centros de produção industrial Imagens: DR

Redacção

Publicado às 18h56 30/10/2026

Djibouti, Djibouti — As autoridades de Djibouti estão a preparar uma transformação da estratégia económica nacional, procurando converter as zonas francas e as futuras áreas industriais em centros de produção, processamento e exportação de mercadorias para os mercados africanos.

A iniciativa foi debatida durante um encontro realizado a 26 de Outubro pelo Ministério da Economia e das Finanças, responsável pela Indústria, com a participação de instituições públicas, representantes do sector privado e parceiros técnicos. A reunião contou com o apoio do Gabinete Sub-Regional da Comissão Económica das Nações Unidas para África.

O encontro teve como principal objectivo avaliar as oportunidades proporcionadas pela Zona de Comércio Livre Continental Africana e identificar actividades produtivas que permitam ao país aproveitar melhor o acesso aos mercados regionais.

Tradicionalmente, a economia de Djibouti tem dependido sobretudo das actividades portuárias, dos serviços logísticos e do transporte de mercadorias destinadas a outros países, particularmente à Etiópia. As autoridades pretendem agora diversificar esse modelo através da instalação de unidades industriais nas zonas francas.

Um estudo apresentado pela Comissão Económica das Nações Unidas para África estima que a implementação integral da Zona de Comércio Livre Continental Africana poderá aumentar as exportações de Djibouti em aproximadamente 7,1% e elevar a produção nacional em 4,8%.

Os sectores que poderão beneficiar mais desta transformação incluem a agro-indústria, a indústria transformadora e a produção de materiais de construção. Estas actividades poderão contribuir para diversificar as fontes de receitas e aumentar a participação das empresas nacionais no comércio regional.

O mesmo estudo identifica 23 empresas industriais em actividade no país, das quais 14 são nacionais e nove pertencem a investidores estrangeiros. Os números demonstram que a base industrial ainda é reduzida, mas apresenta oportunidades de expansão através da mobilização de capital e da criação de novas unidades produtivas.

A estratégia governamental prevê o reforço da Zona Internacional de Comércio Livre de Djibouti e o desenvolvimento da futura Zona de Desenvolvimento Industrial de Damerjog, destinada a acolher actividades relacionadas com materiais de construção, produtos petrolíferos e serviços industriais.

O quadro regulamentar das zonas francas permite igualmente actividades de montagem, embalagem, processamento e prestação de serviços industriais. Esta possibilidade poderá facilitar a produção de mercadorias com origem em Djibouti, destinadas aos mercados da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

As autoridades reconhecem, contudo, que a concretização desta estratégia dependerá do acesso ao financiamento, da redução dos custos energéticos, da formação de trabalhadores qualificados e da criação de condições favoráveis ao investimento privado.

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