CONFLITO
Forças governamentais retomam aeroporto de Mekelle no Tigray
03/10/2026 21h02
Mekelle — As forças federais da Etiópia retomaram o controlo do principal aeroporto de Mekelle, capital da região do Tigray, segundo fontes citadas este sábado pela Reuters, num desenvolvimento que representa um importante recuo para a aliança de forças opositoras que combate o Governo etíope.
O aeroporto Alula Aba Nega tinha sido tomado pelas forças ligadas à Frente de Libertação do Povo do Tigray a 23 de Setembro, no início da actual ofensiva. A sua ocupação levou à suspensão dos voos comerciais para Mekelle e para outras cidades da região, agravando as dificuldades de circulação numa zona já afectada pelo conflito.
Duas fontes, incluindo uma pessoa com conhecimento dos acontecimentos e uma fonte humanitária, confirmaram à Reuters que as forças de defesa nacionais da Etiópia recuperaram o aeroporto. Um residente de Mekelle também confirmou a informação e afirmou ter ouvido disparos nas proximidades do centro da cidade. A Reuters, contudo, não conseguiu verificar independentemente todas as informações devido às restrições de comunicação na região.
Segundo residentes citados por agências internacionais, alguns combatentes das forças do Tigray terão abandonado as suas posições e regressado às suas casas. Foram igualmente relatados actos de pilhagem em instalações governamentais. Um dirigente ligado à Frente de Libertação do Povo do Tigray não estava imediatamente disponível para comentar, enquanto uma fonte próxima da organização afirmou que Mekelle estava cercada por tropas federais e milícias aliadas.
Os combates, iniciados na semana passada, constituem a mais grave escalada de violência na região desde a guerra de 2020-2022. O novo confronto rompeu, na prática, o frágil acordo de paz de Pretória, assinado em Novembro de 2022, que pôs fim ao conflito anterior entre as forças federais e o Tigray.
A situação assume igualmente uma dimensão regional. A Etiópia rompeu esta semana as relações diplomáticas com a Eritreia, acusando o país vizinho de apoiar a aliança rebelde. Adis Abeba também acusa o Sudão e o Egipto de apoiarem as forças opositoras, acusações rejeitadas pelos três países. A União Africana já apelou às partes para exercerem máxima contenção, perante o risco de a crise ultrapassar as fronteiras etíopes.