MUDANçãS CLIMáTICA
Moçambique entre os países africanos mais vulneráveis ao El Niño
03/10/2026 21h04
Maputo — Moçambique está entre os países africanos mais vulneráveis aos efeitos do super El Niño previsto para os próximos meses, alertou a Organização das Nações Unidas, numa altura em que o país ainda enfrenta as consequências económicas e humanitárias das cheias devastadoras registadas no início deste ano.
O fenómeno climático deverá provocar ondas de calor intensas, precipitação abaixo da média e um aumento do risco de seca em diferentes zonas da África Austral. As previsões apontam igualmente para a possibilidade de ocorrência de ciclones e novas inundações, criando condições particularmente difíceis para comunidades que ainda não recuperaram das calamidades anteriores.
A relatora especial das Nações Unidas para as alterações climáticas, Elisa Morgera, fez o alerta no final de uma visita de 11 dias a Moçambique. Segundo a responsável, o país está entre os Estados mais vulneráveis às alterações climáticas a nível mundial, apesar de ter contribuído relativamente pouco para as emissões que provocam o aquecimento global.
A situação preocupa particularmente devido ao impacto que condições meteorológicas extremas poderão ter sobre a agricultura, o abastecimento de água e a segurança alimentar. Dados citados pela Africanews indicam que cerca de 3,5 milhões de pessoas em Moçambique já enfrentam insegurança alimentar aguda.
Morgera apelou igualmente às empresas multinacionais que operam no país para que adoptem medidas destinadas a evitar danos ambientais e climáticos previsíveis. A responsável salientou a necessidade de estabelecer obrigações claras para as empresas, sobretudo para as que desenvolvem actividades ligadas aos combustíveis fósseis.
Malawi e Madagáscar foram também identificados entre os países africanos mais vulneráveis aos efeitos do fenómeno. Para Moçambique, a combinação entre possíveis secas prolongadas, ciclones, cheias e dificuldades económicas representa um desafio adicional para as autoridades e para as comunidades que ainda procuram recuperar das anteriores catástrofes naturais.