ECONOMIA
Endividamento ameaça o crescimento económico dos países africanos
13/10/2026 12h30
Bangkok — O presidente do Grupo dos Vinte e Quatro (G24), Taiwo Oyedele, ministro das Finanças da Nigéria, alertou, nesta terça-feira, para o agravamento do peso da dívida pública nos países em desenvolvimento, considerando os elevados encargos financeiros um dos principais obstáculos ao crescimento inclusivo e à transformação económica em África.
O responsável fez a declaração à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que decorrem na capital tailandesa. Segundo as estimativas apresentadas, os países em desenvolvimento suportam encargos com o serviço da dívida aproximadamente 500 mil milhões de dólares superiores aos dos países desenvolvidos.
A situação é agravada pelo aumento dos custos dos empréstimos, pelos défices orçamentais e pelas perturbações económicas internacionais. Estes factores reduzem a margem de manobra dos governos para financiar infra-estruturas, serviços públicos, educação e programas destinados à criação de emprego.
O G24 defende que o FMI e o Banco Mundial disponibilizem financiamento concessionário em condições mais acessíveis aos países vulneráveis. O objectivo é permitir que os governos afectados reduzam a pressão sobre os respectivos orçamentos e recuperem capacidade para investir em sectores produtivos.
A questão da dívida do Senegal também foi destacada durante as discussões. A directora do secretariado do G24, Iyabo Masha, afirmou que o país está próximo de uma resolução com os credores, após a revelação de problemas relacionados com a contabilização da dívida pública, estimada por analistas em cerca de 13 mil milhões de dólares.
Para as economias africanas, a evolução desta situação poderá determinar a capacidade de financiar projectos de desenvolvimento sem aumentar excessivamente a carga fiscal.
O G24 considera igualmente necessário reforçar as infra-estruturas de electricidade e de centros de dados para evitar que a expansão da inteligência artificial aprofunde as desigualdades entre economias.