CRISE HUMANITáRIA
ONU alerta para o agravamento da situação humanitária no Leste da RDC
14/10/2026 19h22
Nova Iorque — A Organização das Nações Unidas apelou a uma redução da distância entre os progressos diplomáticos e a deterioração da situação de segurança e humanitária no Leste da República Democrática do Congo, advertindo que a actual oportunidade para alcançar a paz poderá não permanecer aberta indefinidamente.
O apelo foi apresentado por Huang Xia, enviado especial do secretário-geral da ONU para a região dos Grandes Lagos, durante uma reunião do Conselho de Segurança.
O responsável das Nações Unidas reconheceu os progressos alcançados através de diferentes iniciativas diplomáticas destinadas a reduzir as tensões na região. Entre elas encontra-se o acordo de Washington, assinado em Junho de 2025 pela República Democrática do Congo e pelo Rwanda, que estabelece compromissos para diminuir as hostilidades e melhorar as relações entre os dois países.
Paralelamente, o processo de Doha, iniciado em Julho de 2025 sob mediação do Qatar, procura facilitar as negociações entre o Governo congolês e a Aliança do Rio Congo, associada ao Movimento 23 de Março. As duas iniciativas abordam dimensões diferentes da crise, mas a sua concretização depende da aplicação dos compromissos assumidos pelas partes envolvidas.
Huang Xia destacou também o protocolo celebrado entre as autoridades congolesas e as Forças Democráticas de Libertação do Rwanda, relativo ao desarmamento, à desmobilização e ao aquartelamento dos seus combatentes. O diplomata considerou igualmente relevante a entrada em funcionamento de um mecanismo conjunto de verificação, que realizou missões em Minembwe, no Kivu do Sul, e em Masisi, no Kivu do Norte.
Apesar destes avanços, a ONU considera que a realidade no terreno continua preocupante. O enviado especial referiu as dificuldades para estabelecer um cessar-fogo efectivo, a utilização crescente de drones armados em zonas habitadas e a propagação da doença por vírus Ébola, factores que agravam os riscos para as populações civis.
Durante a reunião, várias delegações defenderam medidas concretas para assegurar o cumprimento dos acordos. Os Estados Unidos apelaram ao respeito pelo cessar-fogo e à contenção da retórica hostil, enquanto a França e o Reino Unido defenderam a manutenção da pressão diplomática e uma melhor coordenação entre os processos de mediação.
A delegação congolesa voltou a exigir a retirada das forças de defesa do Rwanda e dos seus aliados do M23 do território da RDC. Kinshasa denunciou igualmente a instalação de administrações paralelas nas zonas sob controlo de grupos armados, considerando que estas estruturas dificultam o restabelecimento da autoridade do Estado.
A ONU defende que os esforços diplomáticos sejam acompanhados por medidas verificáveis no terreno, incluindo a redução dos combates, a protecção dos civis e a coordenação regional. O principal desafio permanece transformar os compromissos políticos em melhorias concretas para as populações afectadas pelo conflito.