INVESTIGAçãO
Moçambique admite reabrir investigação a morte de Samora Machel
22/10/2026 18h14
Luanda - O Governo moçambicano admitiu, esta quarta-feira, que novos esclarecimentos sobre a morte do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, poderão exigir a reabertura do processo de investigação ao acidente aéreo de Mbuzini.
A posição foi assumida, no final da trigésima sessão ordinária do Conselho de Ministros pelo seu porta-voz, Inocêncio Impissa, questionado sobre as declarações do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, que, na segunda-feira, defendeu, em Mbuzini (África do Sul), a procura da verdade sobre as circunstâncias do acidente que vitimou o antigo Chefe de Estado.
Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique após a Independência do país, morreu a 19 de Outubro de 1986, quando a aeronave Tupolev-134 presidencial em que seguia se despenhou em Mbuzini, no Nordeste da África do Sul, junto à fronteira moçambicana.
O então Chefe de Estado regressava de uma reunião regional em Lusaka (Zâmbia), quando o aparelho caiu numa zona montanhosa de Mbuzini, com 44 pessoas a bordo.
Segundo a agência Lusa, quando questionado directamente sobre a possibilidade de uma nova investigação, Inocêncio Impissa respondeu que "não é possível esclarecer sem se reabrir o dossier".
Acrescentou que "se o Presidente assumiu um compromisso nesta perspectiva, pode ser que sim. Pode ser que sim".
As declarações surgem um dia depois de o Presidente Daniel Chapo ter defendido, durante as cerimónias dos 40 anos da tragédia de Mbuzini, que as famílias das vítimas "merecem respostas" e que a história "reclama a verdade".
No discurso proferido junto ao memorial de Mbuzini, o Chefe de Estado considerou que as investigações realizadas ao longo das últimas décadas não dissiparam todas as dúvidas sobre as circunstâncias do acidente.
"As famílias e os povos de Moçambique e África do Sul têm o direito de conhecer com rigor e transparência a verdade sobre os acontecimentos daquela noite", declarou.
Questionado pelos jornalistas sobre uma eventual reabertura formal do processo, o porta-voz do Governo não avançou qualquer calendário, nem indicou a existência de diligências já em curso, limitando-se a admitir que o aprofundamento dos esclarecimentos sobre o caso poderá passar pela reabertura da investigação.
Do acidente resultaram 35 mortos, incluindo Samora Machel, membros do Governo, assessores presidenciais, elementos da segurança e tripulantes. Nove ocupantes sobreviveram, vários dos quais com ferimentos graves.
Quatro décadas depois, o desastre continua a suscitar debate e interpretações divergentes sobre as suas causas, com Moçambique a defender que subsistem questões por esclarecer.
Nascido a 29 de Setembro de 1933, na província de Gaza, Samora Machel trabalhou como enfermeiro, antes de abandonar o país, em 1963, para se juntar à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), fundada no ano anterior na Tanzânia.
Viria a assumir o comando das Forças Armadas de Libertação de Moçambique, tornou-se líder da Frelimo, após o assassinato de Eduardo Mondlane, em 1969, e proclamou a Independência Nacional a 25 de Junho de 1975, assumindo o cargo de primeiro Presidente da República.