CONFLITO
Oposição da RDC rejeita rebelião armada e defende diálogo inclusivo
27/10/2026 22h02
Kinshasa - A principal coligação da oposição da República Democrática do Congo rejeitou apoiar a rebelião armada liderada pelo antigo Presidente Joseph Kabila e voltou a defender a realização de um diálogo político inclusivo para resolver a crise no país.
A posição foi divulgada a 27 de Outubro, na sequência de uma reunião de dois dias realizada em Roma, Itália, segundo uma notícia da Reuters.
A coligação C64, que reúne cinco dirigentes da oposição, incluindo os antigos candidatos presidenciais Martin Fayulu e Moïse Katumbi, afirmou que o conflito não tem uma solução exclusivamente militar.
A organização apelou à participação de todas as partes relevantes num processo negocial capaz de enfrentar as divergências políticas e de segurança.
A posição surge num contexto de agravamento das tensões no leste do país, onde grupos armados continuam envolvidos em confrontos com as forças governamentais.
A rebelião associada à Aliança do Rio Congo e ao movimento M23, apoiado pelo Rwanda segundo acusações recorrentes no conflito, constitui um dos principais desafios à estabilidade territorial e institucional congolesa.
O antigo Presidente Joseph Kabila passou a ser associado à liderança da rebelião, actualmente referida na notícia como FRN, no decurso dos recentes desenvolvimentos políticos e militares.
A oposição, contudo, recusou transformar a sua discordância com o actual Governo numa justificação para apoiar a via armada.
A coligação também contestou as reformas constitucionais propostas, que, segundo os seus dirigentes, poderiam permitir ao Presidente Félix Tshisekedi concorrer a um terceiro mandato.
Os opositores insistiram no respeito pela Constituição e manifestaram reservas quanto a qualquer alteração que possa prolongar a permanência do actual chefe de Estado no poder.
O Presidente Tshisekedi anunciou, em Agosto, a intenção de promover um diálogo nacional, mas excluiu os grupos armados do processo inicialmente previsto. A C64 pretende solicitar encontros tanto com Tshisekedi como com Kabila, procurando criar condições para conversações mais abrangentes.
A coligação pediu ainda a libertação de figuras da oposição detidas e denunciou a alegada detenção de Prince Epenge no aeroporto de Kinshasa, impedindo-o de viajar para Roma.