COOPERAçãO BILATERAL
Presidente do Kenya apela à Rússia para investir em fábricas africanas
30/10/2026 18h52
Moscovo — O Presidente do Kenya, William Ruto, apelou à Rússia para aumentar os investimentos na indústria transformadora africana, defendendo que o continente deve abandonar progressivamente o modelo económico assente na exportação de matérias-primas e na importação de produtos acabados.
A posição foi apresentada durante a terceira Cimeira Rússia-África, realizada em Moscovo, onde o Chefe de Estado queniano defendeu uma nova parceria económica orientada para a industrialização, a produção agrícola, as infra-estruturas energéticas e a formação de competências técnicas.
Ruto considerou que África contribuiu significativamente para a riqueza mundial através dos seus recursos naturais, mas continua a captar uma parcela reduzida do valor económico gerado pela transformação desses recursos. Grande parte do processamento industrial continua a realizar-se fora do continente.
O Presidente defendeu que os países africanos devem transformar-se em centros de produção, inovação e criação de valor acrescentado, capazes de competir nos mercados internacionais. Para tal, apelou à instalação de unidades industriais no continente e à transferência de conhecimentos técnicos e tecnológicos.
A proposta surge no contexto dos esforços do Kenya para mobilizar financiamento russo para o seu plano de desenvolvimento de infra-estruturas, avaliado em cerca de 40,02 mil milhões de dólares, a executar ao longo da próxima década.
Durante um encontro empresarial realizado em Moscovo, Ruto apresentou dados sobre as relações comerciais entre os dois países. Em 2025, o comércio bilateral atingiu 380 milhões de dólares, dos quais 52 milhões corresponderam às exportações quenianas para a Rússia, enquanto as importações provenientes do mercado russo alcançaram 330 milhões de dólares.
O investimento russo no Kenya foi estimado pelo Presidente em 22 milhões de dólares, um volume que Nairobi pretende aumentar através da atracção de empresas interessadas em instalar unidades de produção no território queniano.
Ruto chamou igualmente a atenção para a reduzida participação africana na produção industrial mundial. Segundo o Índice de Industrialização Africana de 2025, do Banco Africano de Desenvolvimento, o continente representa menos de 2% da produção industrial mundial e apenas 1,4% das exportações mundiais de produtos manufacturados.
O Chefe de Estado destacou ainda as oportunidades proporcionadas pela Zona de Comércio Livre Continental Africana, considerando que a integração dos mercados africanos poderá criar condições para o desenvolvimento de cadeias regionais de produção e aumentar a capacidade de exportação das empresas instaladas no continente.