INVESTIMENTO
Benim reforça investimentos na transformação local de matérias-primas
03/11/2026 21h50
Cotonou — O Benim está a reforçar a sua estratégia de industrialização através da mobilização de investidores internacionais e instituições financeiras para acelerar a transformação local de matérias-primas e ampliar a capacidade produtiva do continente africano.
A iniciativa esteve em destaque no Fórum de Investimento em Zonas Económicas Especiais, denominado FocusSEZ 2026, realizado nos dias 21 e 22 de Outubro, no Hotel Sofitel Cotonou Marina e na Zona Industrial de Glo-Djigbé (GDIZ). A notícia foi divulgada hoje, 3 de Novembro, pela instituição financeira Afreximbank.
O encontro foi organizado pela Afreximbank, em parceria com a Sociedade de Investimento e Promoção da Indústria do Benim (SIPI-BENIN S.A.) e a Panafritex, reunindo investidores internacionais, industriais, compradores e instituições de financiamento ao desenvolvimento.
Sob o lema Investir na Transformação Local e na Industrialização, o fórum procurou identificar oportunidades de investimento, estabelecer parcerias empresariais e desenvolver mecanismos de financiamento destinados à instalação e expansão de unidades industriais em África.
Um dos principais exemplos apresentados foi a Zona Industrial de Glo-Djigbé, que alberga uma plataforma integrada de produção têxtil, permitindo transformar o algodão em produtos acabados. A cadeia produtiva abrange diferentes fases, desde o descaroçamento e a fiação até à tecelagem e confecção de vestuário.
Segundo os dados apresentados pela Afreximbank, antes da criação desta infra-estrutura, menos de 1% do algodão produzido no Benim era transformado localmente. Em apenas três anos, a zona industrial passou a processar aproximadamente 40 mil toneladas de algodão, correspondentes a quase 12% da produção nacional, fabricando milhões de peças de vestuário destinadas também a marcas internacionais.
A estratégia de industrialização contempla igualmente a transformação de produtos agrícolas, como a castanha de caju, a soja e o karité, com o propósito de aumentar o valor acrescentado da produção nacional e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem transformação.
Durante o fórum, a Afreximbank apresentou instrumentos de financiamento de longo prazo, aquisição de equipamentos, capital de exploração, garantias e mecanismos de partilha de riscos, destinados a facilitar a instalação de novas unidades produtivas e a expansão das empresas existentes.
A instituição destacou igualmente o programa Africa Buyers, concebido para aproximar compradores africanos dos fabricantes instalados nas zonas industriais do continente. A iniciativa pretende criar oportunidades comerciais para produtos fabricados em África, reforçando o mercado interno e as possibilidades de exportação.
Com uma extensão de mil e 640 hectares, a Zona Industrial de Glo-Djigbé integra infra-estruturas de produção, armazenamento e logística, incluindo ligação ao Porto de Cotonou. O modelo pretende facilitar o acesso dos investidores às matérias-primas, aos serviços essenciais e aos mercados regionais e internacionais.
Os promotores consideram que a consolidação de zonas industriais integradas poderá contribuir para a diversificação das economias africanas, a criação de postos de trabalho especializados, o desenvolvimento tecnológico e o reforço da competitividade das empresas do continente.