Mundial 2026: Líderes da OTAN "combinam" não mencionar mundial a Trump
Os líderes europeus adoptaram uma estratégia informal para evitar irritar o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, na cimeira da OTAN, que terminou, esta quarta-feira, em Ankara, Turquia: não mencionar o Mundial 2026.
Este acordo, refere o jornal The Guardian, visou manter o Presidente norte-americano apaziguado, evitando um tema que poderia causar atrito durante importantes deliberações para negociar questões relacionadas com as despesas de defesa, a ajuda à Ucrânia e a paz no Irão.
Segundo fontes oficiais, a estratégia foi discutida, à margem da cimeira.
Os líderes europeus tentaram assegurar a Trump que estão a cumprir as suas obrigações financeiras, com o objetivo de construir "uma OTAN mais forte e mais europeia", na qual cada membro se compromete a gastar cinco por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, até 2035.
A primeira confirmação pública desta táctica veio do Primeiro-ministro belga, Bart De Wever, que afirmou aos jornalistas em Ankara que não iria discutir a vitória da sua selecção, por 4-1, sobre os EUA.
Recorde-se que a cimeira ocorre, após uma polémica gerada por Trump, que pediu ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para interceder na revisão do cartão vermelho mostrado ao avançado norte-americano Folarin Balogun, o que lhe permitiu jogar contra a Bélgica.
Antes de se encontrar com Trump, De Wever brincou com a situação, dizendo que o Presidente dos EUA "tem a reputação de, por vezes, reagir de forma um pouco irritável a coisas de que não gosta, e penso que esta derrota vai ser sentida".
"Toda a gente está a falar de uma coisa, que são os parabéns pela merecida vitória dos Diabos Vermelhos", disse, referindo-se a alcunha da selecção belga.
"Claro que a parte vencida também está presente. E acontece que é o maior parceiro da OTAN", adiantou.
Mais tarde, De Wever não resistiu a uma provocação a Trump.
Ao mencionar que a OTAN está preparada para fornecer 70 mil milhões de euros em ajuda militar à Ucrânia este ano e no próximo, acrescentou: "Isto também é um ‘cartão vermelho’ muito forte para Putin. Não se pode simplesmente anular um cartão vermelho. Sabe disso".
Até ao momento, Donald Trump não comentou a derrota da equipa dos EUA.
No entanto, durante o jogo, foi alvo de troça por parte de vários jogadores belgas, que imitaram a sua dança característica, após o quarto golo.
Num outro momento da cimeira, o Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, trocou brincadeiras com o seu homólogo norueguês, Jonas Gahr Store, antes do jogo dos quartos de final entre Inglaterra e Noruega, vestindo cada um a camisola da sua selecção.
Starmer provocou Store dizendo que a Inglaterra "só ganha o Campeonato do Mundo sob governos trabalhistas".