Artesãos clamam por mercado para venda de peças
Luanda - A falta de um mercado de venda e espaços para exposições de peçasde artesanato foram apontadas, terça-feira, pelo responsável da Associação dos Artistas Plásticos em Cabinda, como as principais dificuldades no exercício da profissão.
Em declarações ao Jornal de Angola, a propósito do actual estado de artes na província de Cabinda, o artesão Eduardo Luemba afirmou que a falta de espaços apropriados para venda de peças esculpidas tem estado a dificultar o seu trabalho.
Assim, pede uma intervenção urgente do Governo local no sentido de criar um espaço condigno onde todos os artistas, desde escultores a artistas plásticos, possam comercializar as peças que produzem.
"A falta de um mercado para a comercialização das nossas obras tem condicionado o crescimento da arte na província”, sublinhou, acrescentando que o quadro de dificuldades se agrava ainda mais por falta de instalações próprias.
Eduardo Luemba evocou as dificuldades que os artistas têm enfrentado, sobretudo os do ramo da escultura que têm estado a encontrar obstáculos na aquisição de matéria-prima (madeira) e no escoamento a partir das zonas florestais.
Segundo o artista, a promoção de feiras apenas em datas históricas tem se tornado uma das causas do fraco rendimento dos criadores a nível da província de Cabinda.
"A realização de feiras em datas históricas e que também não tem sido regular tem implicado bastante no baixo rendimento dos artistas, razão pela qual a nossa venda diária não tem sido positiva. Essas ocasiões para nós seriam o certame ideal para divulgar os nossas trabalhos”.
Disse que o preço das peças varia entre 15 a 800 mil kwanzas, isto é de acordo com a história e a identidade de cada obra.
O artesão lamentou o facto da arte feita em Angola ser mais procurada apenas pelos expatriados, pois como indicou, pouco conhecem "a essência da nossa cultura”.
O secretário provincial da cultura em Cabinda, Ernesto Barros André, reconheceu que a situação dos artistas plásticos na províncias mais a norte do país não é das melhores. "Tudo isto que os artesões estão passar é prova de que ainda estamos longe de valorizar as matrizes da cultura nacional”, referiu.
Afirmou que a instituição que dirige tem o registo de 14 oficinas e 119 artistas plásticos, tendo anunciado que está em curso um projecto de construção de um mercado de cultura para a venda quer de bens de fórum artesanal, quer de medicamentos tradicionais, roupa africana e meterias de decoração de festas de casamento tradicional.
Ernesto Barros deu a conhecer que o local encontrado para a construção do mercado de cultura poderá ser nas imediações do Aeroporto Maria Mambo Café, um espaço encontrado pela Administração municipal de Cabinda.