União Njinga Mbandi vai desfilar no carnaval da Bahia
Luanda- O grupo carnavalesco União Njinga Mbandi, do município de Viana, foi convidado para participar no Carnaval da Bahia, naquele país sul-americano.
O convite foi formulado pelo representante do programa Ouro Negro do Brasil, Jonas Paulo, durante a visita efectuada, recentemente, à sede do União Njinga Mbandi por representantes do projecto Universidade do Carnaval e do referido programa, em que foram recebidos pelo líder do grupo angolano, António Domingos “Tony Mulato”.
Em declarações ao Jornal de Angola, o líder do grupo, Tony Mulato, afirmou que a cooperação cultural visa a troca de experiências e o fortalecimento dos laços entre as tradições carnavalescas de Angola e do Brasil, assim como evidenciar o poder transformador da cultura compartilhada.
Durante a visita, os representantes brasileiros inteiraram-se da riqueza da tradição encantadora do acervo carnavalesco do grupo angolano.
Tony Mulato realçou, igualmente, a manifestação da vontade dos visitantes em promover no seu enredo carnavalesco a figura da Rainha do Ndongo e da Matamba, assim como explorar o Corredor do Kwanza.
Frisou que tendo em conta o percurso da cabecinha, estilo exaltado pelo União Njinga Mbandi, os visitantes ficaram impressionados com a ginga do novo comandante do grupo, João Arsénio Manuel, durante a exibição em jeito de cortesia.
“Angola e Brasil destacam o Carnaval como elo que ultrapassa fronteiras. A parceria promove não apenas a celebração da ancestralidade comum, mas, também, o fortalecimento da identidade e do desenvolvimento cultural entre os dois países”, disse.
Na ocasião, agradeceu o convite do programa Ouro Negro do Brasil, tendo manifestado a intenção de construir, em 2025, uma Escola Nacional de Teatro, no bairro da Regedoria, no município satélite de Viana.
O representante do programa Ouro Negro do Brasil, Jonas Paulo, disse que pretende apostar na união dos grupos carnavalescos de Angola e na recolha de dados que compõem o acervo cultural angolano, com vista a resgatar a mística, ou seja, a verdadeira identidade do Carnaval nacional, com destaque para a forma de vestir e coreografias.
Na última edição do Carnaval de Luanda, o União Njinga Mbandi mostrou no desfile central toda a sua garra. Com a beleza da dança cabecinha, o grupo levou, no conteúdo da sua canção, um apelo ao desaparecimento de estilos de dança que outrora caracterizavam a pluralidade da tradição luandense.
O comandante Tony Mulato foi distinguido em 2019 com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de dança, pela pesquisa feita em prol da recuperação das danças carnavalescas, em particular da cabecinha.