Escavações arqueológicas no Centro Histórico de Mbanza Kongo retomam este ano
Luanda - A segunda fase das escavações arqueológicas no Centro Histórico de Mbanza Kongo (província do Zaire), inicia este ano, anunciou o director técnico do comité de gestão participativa da zona tampão, Biluka Nsakala Nsenga.
Em declarações à imprensa, disse que as escavações vão decorrer em zonas já identificadas e em outras por definir para descobrir mais vestígios históricos na cidade, que foi elevada a Património Mundial da Humanidade, em Julho de 2017.
Afirmou que as escavações vão continuar na antiga Sé Catedral (Kulumbimbi), Tady Dya Bukikua e no interior do recinto do Museu Regional do Reino do Kongo.
Biluka Nsakala Nsenga sublinhou que o novo processo de escavação arqueológica vai contar com especialistas nacionais e de algumas instituições universitárias que leccionam cursos de história e arqueologia, visando descobrir mais vestígios do antigo Reino do Kongo e alargar o perímetro de pesquisa e da zona tampão.
Recordou que as primeiras escavações arqueológicas começaram em 2011 e culminaram em 2015, no âmbito do projecto “Mbanza Kongo, cidade a preservar para desenterrar”, sublinhando que a empreitada contou com o envolvimento de especialistas nacionais e de Portugal e dos Camarões.
Apelou a população para evitar construir residências e outros empreendimentos na zona classificada para a preservação do património.
Centro Histórico de Mbanza Kongo cria oficinas de artes
Por outro lado, o director do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo disse ter em carteira, para este ano, a criação de oficinas de artes para dinamizar acções e manifestações culturais na cidade.
Biluka Nsakala Nsenga sublinhou que, com a implementação do projecto, os artesãos locais terão espaços suficientes para a comercialização dos seus produtos.
Salientou que, no ano passado, foi elaborado um programa que visa dinamizar as artes em todos os domínios, na cidade de Mbanza Kongo, que contempla a criação de oficinas de artes para incentivar e dinamizar a actividade na região.
Revelou que para implementação do projecto foi solicitada uma verba ao Fundo do Património Mundial estando, neste momento, o Fundo do Património Africano a envidar esforços para a transacção do valor para o Instituto Nacional do Património Cultural.
Disse que as oficinas vão abranger escultura, música, dança, teatro, entre outros, sublinhando que, numa primeira fase, serão criadas duas, na zona da Bela Vista e nas imediações da antiga Sé Catedral (Kulumbimbi).
Questionado sobre o estado actual de conservação e preservação dos sítios e monumentos históricos de Mbanza Kongo, disse que o comité de gestão participativa, em parceria com as autoridades tradicionais locais, tem desenvolvido acções de educação e sensibilização da população sobre a importância da protecção da zona tampão.
Deu a conhecer que, no quadro do programa de requalificação da cidade de Mbanza Kongo, previsto para os próximos tempos, serão restaurados alguns sítios e monumentos históricos, com destaque para o Kulumbimbi e algumas fontes naturais de água que circundam a cidade.
Segundo disse, em declarações retomadas pela Angop, a antiga Sé Catedral já apresenta fissuras em algumas partes da sua estrutura, estando o Centro Histórico, em parceria com o Ministério da Cultura, a envidar esforços para a contratação de uma empresa idónea e especializada em trabalhos de restauro.