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Músico Elias Dya Kimueza comemora hoje 90 anos

Músico Elias Dya Kimuezo - DR
Músico Elias Dya KimuezoImagem: DR

02/01/2026 09h32

Luanda - O cantor angolano Elias dya Kimuezo comemora, esta sexta-feira, 90 anos, uma vida dedicada à cultura, com mais de sete décadas de carreira musical.

Para celebrar a data, a família do músico vai organizar, hoje, uma missa de acção de graças na Igreja de São Carlos Lwanga, no Projecto Nova Vida, rua 28, em Luanda, que será celebrada pelo cónego Apolónio Graciano.

 Em nota de imprensa, citada pelo JA Online, a família refere contar com a presença de todos os amantes desta voz máxima da música angolana apareçam para celebrar a data e prestarem uma singela homenagem ao “Rei Elias”.

Elias José Francisco nasceu em Samba Kimunga, nos arredores do Sambizanga, a 2 de Janeiro de 1936. No início da carreira, Elias dya Kimuezo disse que era confundido como ambaquista pela profundidade do seu kimbundu.

Esclareceu que tudo foi motivado pela convivência com os avós. Aos sete anos, perdeu os pais, que eram oriundos de Ambaca. No Sambizanga, com a avó Domingas aprendeu o kimbundu.

O menino, que cantava nos coros da Missão Protestante e, aos 15 anos, na Turma do Margoso, onde foi vocalista principal, com Tubarão Pires, Domingos Amaral, Zé de Oliveira Santos e outros. Teve passagem pelos “Makezos” e os “Kizombas”, conjunto que tocava no Salão Malanjinho, no bairro Sambizanga.

Em 1958, a convite de Mário Santiago, ingressa no Ginásio, uma colectividade em que as actividades recreativas não estavam apenas culturalmente na música, mas também outras modalidades artísticas tinham o seu espaço, assim como o desporto.

Como trabalhador da Textang fundou e organizou os Dikindus, um conjunto que fazia parte das actividades recreativas da fábrica. Gingas é um outro conjunto que faz parte do seu percurso, que entra depois de desentendimentos com os seus colegas dos Dikindus, que não o quiseram acompanhar num baile no mítico Sporting Clube Maxinde.

Kissanguela foi outra formação onde também teve passagem, numa época em que a canção revolucionaria fazia furor. O nome do grupo foi sugerido por Elias Dya Kimuezo, em 1974.

Depois disso, preferiu afastar-se e continuar como artista individual.

Elias dya Kimuezo, da mesma forma que teve passagens por várias formações, fixou residência no Sambizanga, Marçal, Rangel, Cassequel e acompanhando o ritmo do crescimento urbano, hoje, vive no Projecto Nova Vida, também em Luanda.

Conta com quatro LPS (Long Play), oito singles, dois CD e temas dispersos em várias colectâneas de músicas, sendo o mais recente “O Semba passa por aqui”, de 2015.

O título de “Rei da Música Angolana” vem da década de 60 quando o Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA) o consagrou Rei da Música Folclórica Angolana. A UNAC e o Ministério da Cultura reconfirmaram o título de Rei da Música Angolana.

A escritora Marta Santos, em 2012, lançou o livro “Elias dya Kimuezo – A voz e o percurso de um povo”.

 

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