PATRIMóNIO CULTURAL
0bras do novo aeroporto de Mbanza Kongo vão ser retomadas

12/02/2026 16h53
Luanda – O ministro da Cultura, Filipe Zau, anunciou que as obras do novo aeroporto de Mbanza Kongo (província Zaire) vão ser retomadas e a sua conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027.
Em declarações à imprensa, segunda-feira última, na cidade do Uige, no final da primeira sessão ordinária da Comissão Nacional Multissectorial para a Salvaguarda do Património Cultural Mundial, presidida pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, deu a conhecer que o grau de execução da obra se situa actualmente em 32 por cento.
Segundo Filipe Zau, a permanência do antigo aeroporto representa um risco, uma vez que continua a receber aviões de pequeno porte, podendo afectar directamente o Kulumbimbi (Sé Catedral de Mbanza Kongo), monumento histórico do século XVI, localizado na cidade de Mkanza Kongo e que integra o Património Mundial da Humanidade.
Sublinhou que, depois da entrada em funcionamento do novo aeroporto, estão previstas acções para eliminar a actual pista e continuar as escavações arqueológicas detalhadas, visando identificar túmulos, antigas igrejas e outros vestígios ligados ao Centro Histórico de Mbanza Kongo.
Filipe Zau revelou que o conjunto de obras em curso na cidade de Mbanza Kongo está avaliado em cerca de 100 milhões de dólares.
A reunião da comissão apreciou o relatório de implementação das recomendações do Comité do Património Mundial para Mbanza Kongo, com destaque para a necessidade de concluir a desmontagem das antenas de telecomunicações instaladas no local, assim como a aprovação do regulamento urbano, finalização da estratégia de gestão do turismo e definição de indicadores de monitorização baseados no valor universal excepcional do sítio.
O ministro da Cultura referiu que decorre a pormenorização das acções, identificação dos responsáveis e as fontes de financiamento, sublinhando que o projecto de recuperação e conservação do Centro Histórico de Mbanza Kongo contempla a restauração de vários edifícios e sítios históricos situados na área classificada e na zona tampão.
De acordo com o relatório apresentado na reunião, está perspectivada a implementação efectiva dos planos estratégicos do Turismo 2023-2027 e de Gestão de Mbanza Kongo 2024-2028, visando a integração da população local no projecto e criação de empregos nos domínios do turismo cultural, religioso e científico.
A comissão analisou também o estado actual de conservação de elementos com impacto directo sobre o valor universal excepcional do bem, nomeadamente as Ruínas do Kulumbimbi, Yala Nkuwu, Casa do Secretário do Rei, fontes de água e ravinas.
No encontro foi igualmente apreciado o quadro de salvaguarda do património cultural das comunidades inseridas em áreas de conservação ambiental, cujo plano de acção define metas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, poluição do ar e da água, desmatamento e outros factores associados às alterações climáticas e ao deslocamento populacional.
Festikongo impulsiona valorização da cultura local
Na ocasião, o ministro da Cultura disse à imprensa que a sétima edição do Festikongo, realizada em 2025, contribuiu para a promoção e valorização da cultura local, e incentivou a presença de visitantes nacionais e estrangeiros.
Segundo Filipe Zau, o evento decorreu num formato aberto, com participação de diversos convidados nacionais e internacionais, facto que reforçou a projecção e valorização da cultura angolana.
Relativamente a implementação do Plano Turístico e a disponibilidade hoteleira de Mbanza Kongo, Filipe Zau informou que a cidade dispõe actualmente de 22 estabelecimentos de alojamento, sendo quatro hotéis e 17 pensões e hospedarias, com um total de 449 quartos e 487 camas.
Durante a reunião, os membros da comissão tomaram conhecimento do processo em curso para a inscrição do Semba na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Filipe Zau destacou a importância de continuar a incentivar a pesquisa documental, fonográfica e outras iniciativas, de modo a garantir a transmissão do Semba às gerações futuras, consolidando a música e dança como um verdadeiro Património Cultural Imaterial da Humanidade.