Diplomata espanhol realça autonomia cultural de África
Luanda - O jurista e embaixador espanhol, Alberto Virella Gomes, afirmou, na última edição das “Conversas da Academia à Quinta-feira”, que a cooperação com África deve visar o desenvolvimento.
Segundo o JA Online, o diplomata dissertava sob o tema “Desaprender África por um diplomata espanhol”, sob moderação da jornalista Luísa Rogério, tendo abordado as relações entre Estados, a partir do século XV, com destaque para as relações entre europeus e africanos.
Demonstrou estar consciente do facto de as relações iniciais terem sido de cordialidade, com assinatura de tratados bilaterais e com respeito pelas autoridades que governavam os reinos africanos. Tudo isso mudou séculos mais tarde, com a “colonização, caracterizada por acções de brutalidade e violência física contra populações, sobretudo a partir do século XIX”.
O autor do livro intitulado “La Cultura de Nosotros: Nuestra Cultura” considera que “África tinha história, apesar de ter havido filósofos que afirmaram o contrário, quando a Europa mudou os interesses e a visão sobre África e os africanos”.
Esta nova postura permitiu que a brutalidade que caracterizou a colonização europeia em África fosse aceite pelas sociedades europeias. Acrescentou que “a mensagem que vem sendo incutida por gerações é que os africanos não se sabem governar e, por isso, precisam de conselhos e orientação”.
Alberto Virella está convencido que, mesmo após a proclamação das Independências, a Europa continua a manter a mesma “doença cognitiva, que torna as autoridades europeias desagradáveis e proponentes, em relação a África e aos africanos”.
Nas próximas “Conversas da Academia à Quinta-feira”, agendadas para o dia 5 de Março, às 19h00, sob moderação da crítica literária Carmen Tindó, a escritora e historiadora Ana Paula Tavares vai abordar o tema “Histórias por contar”.