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Defendido diálogo e conhecimento histórico como bases da identidade nacional

Ministro da Cultura, Filipe Zau (Arquivo)
Ministro da Cultura, Filipe Zau (Arquivo) Imagens: Inácio Vica

Redacção

Publicado às 10h33 10/04/2026 - Actualizado às 10h33 10/04/2026

Luanda - O ministro da Cultura, Filipe Zau, defendeu, esta quinta-feira, em Luanda, que o conhecimento da história de Angola e diálogo permanente são fundamentais para a construção da identidade nacional, promoção da paz e reforço da coesão social.

Ao discursar na abertura do Ciclo de Conferências alusivo aos dias da Libertação da África Austral (23 de Março) e da Paz e Reconciliação Nacional (04 de Abril), afirmou que compreender o passado é essencial para superar divisões históricas e consolidar um projecto de nação inclusivo.

Adiantou que identidade cultural angolana não é estática, mas resulta de um processo contínuo de construção, baseado nas raízes bantu, no contacto histórico com povos europeus, em factores ideológicos ligados ao nacionalismo e na experiência da guerra.

Neste contexto, sublinhou que o conhecimento histórico contribui para o fortalecimento do sentimento de pertença e da angolanidade, sendo igualmente determinante para a afirmação do Estado de Direito, direitos humanos, unidade nacional e justiça social.

Filipe Zau defendeu, por outro lado, a necessidade de o Arquivo Nacional de Angola (ANA) assumir um papel mais dinâmico, não se limitando à conservação documental, mas também à investigação, interpretação dos factos históricos e recolha de depoimentos, visando a preservação da memória colectiva.

Sublinhou que tanto os aspectos positivos como negativos da história devem ser analisados, por contribuírem para a formação da consciência nacional, sendo que os primeiros devem inspirar orgulho e os segundos servir de aprendizagem para evitar erros futuros.

Recordou que o dia 23 de Março de 1988, data ligada a batalha do Cuito Cuanavale, representa um marco na luta contra o Apartheid, tendo contribuído para a Independência da Namíbia, libertação de Nelson Mandela e o fim do regime segregacionista na África do Sul.

Referiu ainda que o 04 de Abril de 2002, por sua vez, simboliza o fim da guerra civil em Angola, tendo sublinhado que, apesar da luta armada ter sido determinante para a independência, os conflitos internos travaram o desenvolvimento do país, e, nas guerras civis, “todos perdem”.

Considerou indispensável o reforço de uma cultura de paz assente no diálogo permanente e aberto.
Salientou ainda que o verdadeiro conhecimento resulta da humildade e da compreensão de que não existem verdades absolutas, sobretudo no domínio das ciências sociais.

Na ocasião, o director do Arquivo Nacional de Angola, tenente-general reformado, Justino Ramos, fez saber que a conferência visa invocar a coragem dos combatentes que lutaram pelo fim do regime do Apartheid na África do Sul e contribuíram para o desenvolvimento político da África Austral e a integração regional da SADC.

Segundo disse, o arquivo pretende reafirmar o compromisso de preservar a memória dos combatentes caídos e usar o espaço para reflectir sobre os desafios actuais, a moralização da juventude e sociedade, bem como renovar os valores patrióticos de unidade, justiça, democracia e desenvolvimento sustentável.

O ciclo de conferências abordou temas como a "Importância da Batalha do Cuito Cuanavale e Conquista da Paz para a Juventude Angolana", "Lições de Patriotismo e Soberania", "O Papel da Força Aérea Nacional na Consolidação da Paz", "Memória Colectiva e Heroísmo", "As Decisivas Campanhas Militares em Angola para a Conquista da Paz (1976-2002)" e "Valorização e Preservação da Memória dos Combatentes".

Estiveram presentes na abertura do ciclo de conferências Bornito de Sousa, antigo Vice-Presidente da República, assim como oficiais generais, superiores e subalternos das FAA, entre outros convidados.

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