Malamba Camunga lança apelo para criação de orquestra no Projecto Nandó
Luanda - O maestro Malamba Camunga lançou um apelo público para a criação de uma extensão da Orquestra Camunga no Projecto Nandó, em Luanda, destacando a necessidade urgente de mobilização financeira para a sua efectividade.
Segundo o mentor da orquestra, citado pelo JA Online, o desafio foi lançado por mães que pretendem ver os filhos dentro de uma iniciativa de inserção social pelas artes.
O responsável revelou que estão, neste momento, a ser criados mecanismos que viabilizem o apoio institucional e privado para a implementação da iniciativa, orçada em 60 milhões de kwanzas.
“O objectivo é oferecer às crianças e jovens, uma comunidade com escassos espaços culturais, uma oportunidade concreta de formação artística e inclusão social através da música”, afirmou.
Para o maestro, a criação da Orquestra Camunga, no Projecto Nandó, representa mais do que um projecto cultural. Trata-se de um investimento no futuro da juventude, na promoção de valores e na democratização do acesso à arte.
“Num bairro onde existem muitas crianças e poucos espaços para a expressão cultural, a música pode transformar vidas e abrir horizontes”, sublinhou.
O apelo dirige-se a empresas, instituições públicas, parceiros culturais e cidadãos sensíveis à causa da educação artística, no sentido de contribuírem para a materialização de um projecto que promete levar esperança, disciplina e talento à comunidade do Projecto Nandó.
A Orquestra Camunga é um projecto que começou em 2011, na Corimba, quando Malamba Camunga juntou cinco crianças para ensinar a tocar violino e, desta forma, realizar um sonho não concretizado pelo seu pai.
Hoje, com mais de 500 integrantes, com vários grupos que, além da música, têm formação académica e aconselhamento psicológico, uma das prioridades da Orquestra Camunga. Ao longo desta década de existência, afastou muitos jovens da delinquência. Conta com o apoio da iniciativa “Um livro, uma criança, muitas leituras”.
Durante as apresentações, tem levado ao repertório musical alguns sucessos da música angolana e internacional. Os jovens têm-se destacado ao levar para os vários palcos temas como “Cartinha de Saudade”, de Jacinto Tchipa, “Monami”, de Lourdes Van-Dúnem, “Sodade”, de Cesária Évora, “Adeus à hora da Largada”, de Dom Caetano, “Muxima”, do Ngola Ritmo, ao som do violino, “Azulula”, de Gabriel Tchiema, “Ntoyo” e “ Tata Nketo”, de Teta Lando.