SEMBA

Angola conta com ajuda do Brasil para elevar o semba a património mundial

Ministros da Cultura de Angola, Filipe Zau, e do Brasil, Margareth Menezes, assinaram Memorando de Entendimento Cultural, em BrasíliaImagem: DR

03/04/2026 13h26

Luanda - Os ministros da Cultura de Angola, Filipe Zau, e do Brasil, Margareth Menezes, assinaram, terça-feira última, um Memorando de Entendimento Cultural, em cerimónia realizada na Fundação Cultural Palmares, em Brasília.

No quadro da cooperação bilateral, Angola solicitou o apoio do Brasil para facilitar a mobilidade de artistas, reforçar a articulação entre a língua portuguesa e as línguas africanas, assim como para a candidatura do semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

O memorando reafirma a ligação entre os dois países, que já completaram 50 anos de relações diplomáticas.

No seu discurso, Filipe Zau destacou que a relação entre Angola e Brasil transcende a política, sendo alicerçada na “fraternidade e até mesmo consanguinidade”.

Recordou dados históricos que evidenciam como Angola, entre os séculos XVIII e XIX, funcionou quase como uma “feitoria” para o Brasil, com cerca de 98,6 por cento das suas exportações destinadas ao território brasileiro, maioritariamente compostas por pessoas escravizadas.

“Angola e Brasil, herdeiros históricos da desumanidade das sociedades escravocratas, estão de parabéns por apoiarem o reconhecimento do tráfico de escravos como o maior holocausto contra a Humanidade”, afirmou o ministro.

O acordo assinado foca-se na cooperação técnica e institucional, com destaque para a parceria oficial entre o Arquivo Nacional de Angola e a Biblioteca Nacional do Brasil, visando ampliar o conhecimento mútuo sobre as identidades nacionais e promover uma “justiça reparadora para africanos e afrodescendentes”.

Filipe Zau, que viveu e estudou em Brasília na década de 80, expressou a satisfação pessoal e política com o momento, e recordou que o Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a Independência de Angola, em 1975, um gesto que deu início a este ciclo de meio século de amizade.

O encontro de trabalho com a ministra da Cultura brasileira, Margareth Menezes, em Brasília, foi o ponto alto de uma vasta agenda de Filipe Zau, que esteve de visita oficial ao Brasil, de 25 de Março a 01 de Abril.

O encontro permitiu reafirmar os laços históricos de amizade e cooperação entre os dois países, com destaque para o papel estratégico da cultura na promoção do desenvolvimento e na aproximação entre os povos.

As partes destacaram a importância de reforçar o intercâmbio cultural e a circulação de artistas, bem como de promover iniciativas de valorização das culturas de matriz africana e afrodescendente na diáspora.

Foi igualmente sublinhado o papel da cultura na resposta aos desafios globais e promoção da reconciliação histórica, tendo a delegação angolana reiterado as recomendações da União Africana sobre reparação histórica e restituição de bens culturais.

A visita reafirma o compromisso de Angola e Brasil em aprofundar a cooperação cultural e fortalecer os laços que unem os seus povos, bem como simbolizou um novo capítulo na promoção da língua portuguesa, enriquecida pela Linguística Bantu, em ambos os lados do Atlântico e na valorização do Património Cultural comum.

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