TRILOGIA

"Trilogia Ecos do Silêncio" a caminho da Grécia

Artistas angolanos vão apresentar "Trilogia Ecos do Silêncio" em Atenas, Grécia Imagem: DR

30/06/2026 12h33

Luanda - A artista Fady Nakussima e o coreógrafo André Baptista, o convidado principal da “Trilogia Ecos do Silêncio”, transformaram “Gestos da Trilogia” numa experiência surreal e medicinal, elevando a Literatura, Dança Popular e Contemporânea e fotografia do projecto para o circuito Internacional.

Ambos fazem parte da comitiva de artistas que vai apresentar “Trilogia Ecos do Silêncio”, no Teatro Dora Stratou Dance, em Atenas, Grécia, durante o 64.º Congresso Internacional de Pesquisas em Dança, evento que começa quarta-feira  amanhã e decorre até ao dia 5 de Julho, sob a organização do Conselho Internacional de Dança (CID-UNESCO), segundo o JA Online.

A delegação, composta por seis integrantes, autora, coreógrafo principal, duas bailarinas, fotógrafa e editora, parte confiante que o eco que começou em Luanda, também vai ressoar nos palcos gregos, como um manifesto universal de libertação e soberania somática.

Fady Nakussima e André Baptista garantem que estão prontos para conquistar o circuito internacional. A dupla, antes de deixar o país, fez uma avaliação dos primeiros espectáculos realizados na semana passada no Palácio de Ferro e Memorial Dr. António Agostinho Neto e que serviram de teste para a estreia internacional.

“As actividades no Palácio de Ferro, no MAAN e no Epic Sana superaram todas as expectativas iniciais e provaram que o público de Luanda estava sedento de uma arte que não serve apenas para entreter, mas que actua como uma autópsia cénica da exaustão corporativa”, revelou a autora Fady Nakussima.

O trabalho desenvolvido em palco foi de uma entrega muscular e somática arrebatadora, sob a coordenação do coreógrafo principal André Baptista, cuja assinatura é reconhecida precisamente por transmutar o movimento em algo surreal e disruptivo.

Os bailarinos convidados dos grupos de dança Kupolo Njila, Mandumbo Dance e Vidarte, que se juntaram ao Elenco Corpus Heritage, deram corpo e alma ao manifesto.

No projecto, a dança não é um elemento isolado, é a tridimensionalidade da palavra escrita. O verdadeiro motor e a fundação de todo este sucesso reside na literatura, especificamente nas minhas três obras lançadas internacionalmente “Visceral”, “Vísceras” e o recente “Wesungi”. A escrita é o diagnóstico científico e o palco é a cura.

Por outro lado, André Baptista sublinhou que o formato do espectáculo em Atenas vai ser adaptado ao número de bailarinos. “O encontro internacional na Grécia transcende a dinâmica de um festival tradicional. A nossa apresentação europeia vai ser a expressão mais pura e depurada do ecossistema em três dimensões: a densidade intelectual dos livros, a evidência visual da fotografia fine art e a força crua do gesto corporal”, salientou.

Segundo as fontes, a performance no Palácio de Ferro capturou a raiz da ancestralidade que a Grécia exige, enquanto a componente técnica e o rigor estético do Epic Sana ditaram o padrão de luxo internacional que a plataforma Cultural Nakussima Heritage exige.

“O MAAN representou a simbiose perfeita entre a comunidade e a nossa herança rítmica, consolidando a verdade e a diversidade do movimento que agora ganha uma dimensão global. André Baptista e eu estamos a levar para a Europa uma linguagem corporal e literária que dita a vanguarda do amanhã social e equitativo”, frisou Fady Nakussima.

 

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