MúSICO
Morreu o músico Luís Represas
23/07/2026 12h34
Luanda - O músico português Luís Represas, intérprete dos temas “Feiticeira” e “Timor”, que faleceu, quarta-feira, aos 69 anos, cruzou públicos e referências musicais e “nunca se fechou dentro de uma cápsula”, disse à agência Lusa o investigador e divulgador João Carlos Callixto.
Luís Represas estava a comemorar 50 anos de carreira e tinha anunciado dois concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto para Abril de 2027, onde apresentaria um alinhamento com as canções feitas a solo e com os Trovante.
“É um nome sempre muito presente junto do grande público, quer com o grupo Trovante quer a solo. É um músico que cruza públicos, cruza muitas referências e marca muita gente mais jovem”, afirmou João Carlos Callixto.
Para o investigador, Luís Represas “foi sempre buscar novos músicos, de vários quadrantes, de África e da América, numa se fechou dentro de uma cápsula”.
“Havia sempre uma procura irrequieta de outras escritas e outras linguagens”, disse.
Nascido em Lisboa, em 1956, foi um dos fundadores dos Trovante, em 1976, e o grupo permaneceu activo até aos anos 1990, editando, por exemplo, “Baile no Bosque” (1981) e “Cais das Colinas” (1983), fortemente inspirados na música tradicional portuguesa.
Nas décadas seguintes, os músicos seguiram caminhos a solo, e o grupo voltaria a se reunir para alguns concertos esporádicos, nomeadamente em 1999, em 2006, em 2017 e em Março passado, com actuações esgotadas em Lisboa e no Porto.
Luís Represas lançou-se a solo em 1993, com o álbum “Represas”, fruto de uma viagem a Cuba, onde foi gravado, e do qual fazem parte músicas como “Fora de Tempo”, “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira”. O mais recente álbum, “Miragem”, é de 2024.
Da sua história, faz parte ainda o apoio à Independência de Timor-Leste. A canção “Timor”, com música de João Gil e letra de João Monge, que vinha do álbum do grupo “Um destes dias” (1990), voltou a juntar os Trovante em 1999 e transformou-se num dos principais temas da luta que levou à Independência timorense. A letra viria a ser traduzida para tetum por Xanana Gusmão.