NETO

Crítico Abreu Paxe analisa literatura de Neto

Crítico literário Abreu PaxeImagem: DR

20/09/2026 12h27

Luanda - O crítico literário Abreu Paxe considerou a literatura de Agostinho Neto como de combate e reforço da identidade angolana, durante a terceira conferência do ciclo de Setembro da série “Conversas da Academia à Quinta-feira”, integrada nas comemorações do 10.º aniversário da instituição e do 104.º aniversário natalício de Agostinho Neto.

O crítico literário foi o conferencista convidado, tendo abordado o tema “Agostinho Neto: poesia, literatura, paisagem e cultura”, perante académicos de Angola, Brasil, Moçambique, Portugal e Senegal, segundo o JA Online.

Sob moderação da pedagoga Aldora Cadete, Abreu Paxe analisou a presença literária de Neto a partir do conto “Náusea” e dos poemas “Mussunda amigo”, “Sinfonia” e “Renúncia Impossível”, obras em que o autor retrata a sociedade colonial e a sua estratificação social.

No conto “Náusea”, destacou a dualidade do mar como símbolo-fonte de conquista para uns, mas de sofrimento e morte para outros, num paralelo com a diáspora forçada dos escravos africanos.

Já em “Sinfonia”, sublinhou a harmonia entre o ser africano e a natureza, associada à musicalidade e à afirmação da identidade e da resistência angolanas.

O director do Centro de Estudos Literários da União dos Escritores Angolanos evitou classificar Neto como “Poeta Maior” ou “Poeta Menor”, preferindo defini-lo como poeta nacional, aquele que fundou a Nação angolana, numa leitura política e não sociológica do conceito de Nação.

Autor de obras como “A Chave do Repouso da Porta” e “O Vento Fede de Luz”, Abreu Paxe considera a poesia de Neto marcada pelo contexto colonial e pela assimilação cultural, elevando-a à condição de ícone da literatura de resistência.

Recordou a posição do poeta quanto ao lugar político das línguas nacionais em Angola, que, no seu entender, deveria ser distinto do actual.

A próxima sessão do ciclo está agendada para 24 de Setembro.

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