João Lourenço visita exposição de artes plásticas na Bienal de Luanda
Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, visitou, esta quarta-feira, a exposição de artes plásticas patente na quarta edição da Bienal de Luanda, com obras de dez artistas africanos que abordam preservação da água, ambiente e territórios.
A mostra, patente no Palácio de Convenções de Luanda, reúne 40 obras e duas esculturas, produzidas no âmbito de uma residência artística na península do Mussulo, em Luanda, com recurso a materiais reciclados e utensílios recolhidos naquela área.
A iniciativa enquadra-se nos objectivos da Bienal de Luanda, que promove o diálogo intercultural e a reflexão sobre a paz, preservação ambiental e prevenção de conflitos, num contexto em que a disputa pelos recursos naturais constitui um dos desafios enfrentados por várias comunidades.
Em declarações à imprensa, o curador da exposição, Hermenegildo Kindala, explicou que os trabalhos resultam de uma residência artística de carácter educativo e científico, que reuniu nove artistas angolanos e uma da República Democrática do Congo (RDC).
Deu a conhecer que, durante uma semana, os participantes desenvolveram actividades práticas e participaram em mesas-redondas sobre os temas da Bienal, para transformar as experiências vividas no Mussulo em expressões artísticas ligadas à protecção dos recursos naturais.
A exposição apresenta pinturas e esculturas em ferro, além de trabalhos de técnica mista sobre sacos, contraplacados, bidões, latas e redes de pesca abandonadas por marinheiros.
Hermenegildo Kindala referiu que os artistas utilizaram igualmente fragmentos de chinelos e outros materiais encontrados na região para compor figuras de peixes e tartarugas, numa abordagem que associa a criação artística à sensibilização para os problemas ambientais.
O curador considerou, ainda, que a arte pode contribuir para reforçar a consciência sobre a necessidade de preservar a paz e prevenir conflitos motivados pela disputa de recursos naturais, com destaque para a água.
A quarta edição da Bienal de Luanda constitui um espaço de encontro entre representantes de diferentes sectores da sociedade, com iniciativas destinadas a promover a cultura de paz, reconciliação, diálogo e prevenção de conflitos no continente africano.
O papel da arte na promoção da paz, da união entre os povos e na preservação da identidade cultural, com destaque para a água como fonte de vida e factor de cooperação entre comunidades, foi destacado, esta quinta-feira, em Luanda, por artistas plásticos, à margem da quarta Bienal de Luanda.
Abordados pela imprensa os artistas plásticos consideraram a arte uma expressão de liberdade, independência e vida, capaz de contribuir para a construção de uma sociedade mais pacífica, através da valorização da identidade cultural.
Agenda da Bienal de Luanda
A Bienal de Luanda constitui uma plataforma de diálogo entre diferentes sectores da sociedade e de promoção de iniciativas culturais voltadas para a construção de uma cultura de paz, a prevenção de conflitos e o reforço da cooperação entre os povos.
O programa do primeiro dia incluiu um diálogo inter-geracional de alto nível sobre governação inclusiva, com a participação de Chefes de Estado e de Governo, jovens líderes africanos e representantes da diáspora, seguido de um painel sobre água, paz e cooperação transfronteiriça.
A quarta edição da Bienal de Luanda reúne mais de mil participantes, dos quais 400 delegados, provenientes de 62 países, com o apoio de 80 parceiros.
O fórum é uma iniciativa do Governo angolano, em parceria com a União Africana e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), destinada a promover o diálogo, reflexão e concertação em torno da cultura de paz e da não-violência em África.
O encontro, que decorre até sexta-feira, junta representantes de governos, organizações internacionais e sociedade civil.
Sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, a edição deste ano coloca no centro do debate a relação entre os recursos hídricos, a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável do continente.