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Museu Etnográfico do Uíge recebe cerca de 200 visitantes por semana

Museu Etnográfico do UígeImagem: DR

16/10/2026 11h42

Luanda - O Museu Etnográfico do Uíge recebe entre 100 e 200 visitantes por semana, provenientes de distintas regiões do país e do mundo, informou, recentemente, o chefe do Departamento da Cultura, Património Histórico e Comunidades Tradicionais do Gabinete Provincial da Cultura.

Nelson Bunga, segundo notícia do JA Online, disse que, entre os visitantes, destacam-se estudantes do Ensino Geral e Superior, que acorrem àquela instituição museológica para pesquisas que possam enriquecer os seus trabalhos académicos.

Situado no coração da cidade do Uíge, o Museu Etnográfico, criado em 1986, mantém viva a memória colectiva dos povos Bakongo e Mbundu, através da preservação de mais de 200 peças e outros artefactos representativos da cultura e da História da região.

O Museu Etnográfico do Uíge passou a ter esta designação em Outubro de 2022, depois de ter funcionado, durante várias décadas, como Museu Etnográfico do Congo, com abrangência regional ao Norte de Angola.

Segundo o responsável, a mudança do nome surgiu na sequência da criação do Museu dos Reis do Congo, em Mbanza Congo (Zaire).

Explicou que o actual edifício do Museu dispõe de sete salas, uma das quais destinada à realização de palestras e outros encontros, além de uma biblioteca e de uma outra sala multidisciplinar que retrata a vida e obra do primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, bem como elementos da cultura local.

O museu possui, igualmente, uma sala onde ficam expostas máscaras "Nkoso" e "Mayamba", símbolos de iniciação utilizados, outrora, em cerimónias da justiça tradicional e de circuncisão (rito de passagem da adolescência à idade adulta).

A instituição conta com uma sala dedicada à agricultura e à pesca, bem como outro espaço que conserva artefactos de caça e elementos da fauna, em especial a biodiversidade da Serra do Pingano, destacando espécies como o elefante, jacaré e o antílope.

Entre os instrumentos musicais expostos estão o kissanje, ngoyo, batuque e as sacaias, que recordam a música tradicional anterior à influência da electrónica, além de outros objectos ligados às práticas culturais dos habitantes locais.

“Muitas peças originais foram saqueadas durante o fim da colonização e o período do conflito armado. Os artefactos foram levados para os museus de Portugal, Itália e Espanha”, sublinhou, acrescentando que, em Angola, existem, ainda, cerca de 70 peças retiradas das grutas de Quissanje, no município do Negage, que se encontram no Museu de Arqueologia de Benguela para estudos de pré-História.

Indicou que o museu mantém contactos institucionais para a recuperação dos artefactos que se encontram fora da província, embora seja um processo complexo, na medida em que envolve custos e questões técnicas.  l.

Sala do poder tradicional

O chefe do Departamento da Cultura, Património Histórico e Comunidades Tradicionais do Gabinete Provincial da Cultura anunciou, na ocasião, a criação, nos próximos tempos, no Museu Etnográfico do Uíge, de uma sala dedicada ao poder tradicional, com o objectivo de homenagear os soberanos da região, que outrora tiveram influência nas províncias de Mbata, actual sede municipal de Maquela do Zombo, e Mbamba, que abrange hoje os municípios do Bembe, Ambuíla e Nambuangongo, no Bengo.

Nelson Bunga destacou também alguns nomes de antigos soberanos da região como Mekibiang, Memalundo, Mernbungo, Biandanguinga e Manimbata, que continuam presentes na memória das comunidades locais.

Por outro lado, o responsável manifestou preocupação com a perda gradual de valores culturais no seio das famílias, apontando, entre outros factores, a redução de hábitos comunitários como o jantar em família, o distanciamento entre gerações e a desvalorização das línguas nacionais, situação que, segundo Nelson Bunga, contribui para o enfraquecimento da identidade cultural.

“Museu na sua Escola”

Este ano, a instituição iniciou a implementação do projecto denominado “Museu na sua Escola”, destinado ao incentivo à preservação da identidade cultural além dos muros do museu.

De acordo com Nelson Bunga, o projecto começa com a abordagem de conteúdos relacionados com o património cultural nas aulas práticas da disciplina de História.

Para garantir o êxito da iniciativa, o museu conta já com parcerias do ISCED do Uíge, Instituto Superior Politécnico Privado do Uíge (ISPPU) e o Colégio Zola, estando prevista a extensão do projecto a outras escolas.

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