EXPOSIçãO

João Lourenço visita exposição de artes plásticas na Bienal de Luanda

Presidente da República, João Lourenço, visita exposição de artes plásticas, no quadro da Bienal de Luanda, no Palácio de ConvençõesImagem: CIPRA

22/10/2026 20h22

Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, visitou, esta quarta-feira, a exposição de artes plásticas patente na quarta edição da Bienal de Luanda, com obras de dez artistas africanos que abordam preservação da água, ambiente e territórios.

A mostra, patente no Palácio de Convenções de Luanda, reúne 40 obras e duas esculturas, produzidas no âmbito de uma residência artística na península do Mussulo, em Luanda, com recurso a materiais reciclados e utensílios recolhidos naquela área.

A iniciativa enquadra-se nos objectivos da Bienal de Luanda, que promove o diálogo intercultural e a reflexão sobre a paz, preservação ambiental e prevenção de conflitos, num contexto em que a disputa pelos recursos naturais constitui um dos desafios enfrentados por várias comunidades.

Em declarações à imprensa, o curador da exposição, Hermenegildo Kindala, explicou que os trabalhos resultam de uma residência artística de carácter educativo e científico, que reuniu nove artistas angolanos e uma da República Democrática do Congo (RDC).

Deu a conhecer que, durante uma semana, os participantes desenvolveram actividades práticas e participaram em mesas-redondas sobre os temas da Bienal, para transformar as experiências vividas no Mussulo em expressões artísticas ligadas à protecção dos recursos naturais.

A exposição apresenta pinturas e esculturas em ferro, além de trabalhos de técnica mista sobre sacos, contraplacados, bidões, latas e redes de pesca abandonadas por marinheiros.

Hermenegildo Kindala referiu que os artistas utilizaram igualmente fragmentos de chinelos e outros materiais encontrados na região para compor figuras de peixes e tartarugas, numa abordagem que associa a criação artística à sensibilização para os problemas ambientais.

O curador considerou, ainda, que a arte pode contribuir para reforçar a consciência sobre a necessidade de preservar a paz e prevenir conflitos motivados pela disputa de recursos naturais, com destaque para a água.

A quarta edição da Bienal de Luanda constitui um espaço de encontro entre representantes de diferentes sectores da sociedade, com iniciativas destinadas a promover a cultura de paz, reconciliação, diálogo e prevenção de conflitos no continente africano.

O papel da arte na promoção da paz, da união entre os povos e na preservação da identidade cultural, com destaque para a água como fonte de vida e factor de cooperação entre comunidades, foi destacado, esta quinta-feira, em Luanda, por artistas plásticos, à margem da quarta Bienal de Luanda.

Abordados pela imprensa os artistas plásticos consideraram a arte uma expressão de liberdade, independência e vida, capaz de contribuir para a construção de uma sociedade mais pacífica, através da valorização da identidade cultural.

Agenda da Bienal de Luanda

A Bienal de Luanda constitui uma plataforma de diálogo entre diferentes sectores da sociedade e de promoção de iniciativas culturais voltadas para a construção de uma cultura de paz, a prevenção de conflitos e o reforço da cooperação entre os povos.

O programa do primeiro dia incluiu um diálogo inter-geracional de alto nível sobre governação inclusiva, com a participação de Chefes de Estado e de Governo, jovens líderes africanos e representantes da diáspora, seguido de um painel sobre água, paz e cooperação transfronteiriça.

A quarta edição da Bienal de Luanda reúne mais de mil participantes, dos quais 400 delegados, provenientes de 62 países, com o apoio de 80 parceiros.

O fórum é uma iniciativa do Governo angolano, em parceria com a União Africana e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), destinada a promover o diálogo, reflexão e concertação em torno da cultura de paz e da não-violência em África.

O encontro, que decorre até sexta-feira, junta representantes de governos, organizações internacionais e sociedade civil.

Sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, a edição deste ano coloca no centro do debate a relação entre os recursos hídricos, a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável do continente.

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