UEFA ameaça boicotar Mundial em protesto contra plano da FIFA
Bruxelas - As nações europeias membros da UEFA ameaçam boicotar os torneios da FIFA caso Gianni Infantino avance com o seu plano de vender participações no Campeonato do Mundo a investidores privados, segundo o The Times.
A decisão histórica foi tomada numa reunião de crise virtual que juntou as 55 nações membros da UEFA, presidida por Aleksander Ceferin, para discutir a controversa proposta.
Esta tomada de posição poderá levar ao colapso do plano de Infantino. O presidente da FIFA tinha dado um prazo até 19 de setembro para que as 211 federações-membro aderissem, sob pena de enfrentarem consequências financeiras.
A ausência das selecções europeias dos Mundiais masculino e feminino, bem como de outros torneios, tornaria o projeto inviável, uma vez que os investidores estariam a comprar participações numa competição sem a maioria das melhores equipas do mundo. Os líderes do futebol europeu consideram que o futuro do futebol internacional está em jogo, descrevendo a manobra de Infantino como pouco mais do que um suborno.
O plano do presidente da FIFA sofreu outro duro golpe quando o Sheikh Salman, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), expressou «grande preocupação e desilusão» pela falta de consulta da FIFA numa carta enviada aos seus 47 membros.
«Além disso, a AFC está profundamente preocupada com o facto de as acções unilaterais da FIFA parecerem minar os próprios alicerces do futebol continental, que se baseiam na solidariedade, cooperação e transparência. Mais ainda, tal iniciativa não terá sucesso sem o apoio de todas as confederações, o que não acontece actualmente», escreveu Sheikh Salman.
A liderança da Concacaf, que representa 41 países da América do Norte, Central e das Caraíbas, também se mostrou crítica em relação à proposta.
Proposta lucrativa de Infantino
Numa carta enviada às federações, à qual o The Times teve acesso, Infantino detalha a proposta. Se as federações aceitarem, um pacote de financiamento de 8,7 mil milhões de euros ficará disponível, com cada federação a receber 35 milhões de euros. Se rejeitarem, os ganhos serão de 2,35 mil milhões de euros, quase 75% menos.
«A decisão de avançar ou não com esta proposta pertence-vos inteiramente», afirma Infantino na carta. «Se desejarem avançar, este pacote de 8,7 mil milhões de euros estará disponível a partir de 1 de janeiro de 2027, inaugurando a próxima fase da nossa jornada juntos.
Se desejarem manter o status quo e rejeitar esta proposta, ainda temos a nossa expansão planeada do programa Forward [dinheiro para desenvolvimento] de 2,35 mil milhões de euros, como apresentado anteriormente.»
A UEFA reagiu na quarta-feira, afirmando que «a FIFA não pode continuar a usar o nosso desporto para se enriquecer a si e aos seus amigos.
Podemos fazer o jogo crescer correctamente. É hora de priorizar as federações, clubes, ligas, jogadores e adeptos».
Infantino poderia vir a liderar a nova empresa, denominada Fifa Forward Enterprise, como comissário após o fim do seu mandato presidencial em 2031. O salário para essa posição, embora não confirmado, seria comparável ao do comissário-chefe da NFL, que aufere cerca de 55,65 milhões de euros anuais, dez vezes mais do que o salário actual de Infantino.
Foi ainda salientado que as vastas reservas financeiras da FIFA, na ordem dos 3,5 mil milhões de dólares, permitiriam que este dinheiro extra fosse distribuído pelas federações nacionais de qualquer forma, sem necessidade de recorrer a investidores privados.