Aumento de receitas na exploração de ouro em Angola
Luanda - A exploração de ouro em Angola ocupa, neste momento, 4,9 por cento do território nacional, tendo a actividade rendido, de 2021 a 2023, uma receita de mais de 10 milhões de dólares, segundo dados do Departamento de Normalização e Boas Práticas da Direcção de Regulação e Mercados da Agência Nacional de Recursos Minerais.
Os dados publicados pelo Jornal de Economia & Finanças, indicam que foram emitidos 38 títulos mineiros para a prospecção de ouro, nas províncias de Huambo, Huíla e Cabinda.
Para a exploração efectiva estão emitidos 11 títulos mineiros e decorrem nas províncias de Huíla, Cabinda, Huambo e Bengo.
Segundo a fonte, em termos de produção, entre 2019 e 2024, os dados partilhados pela agência apontam que o total geral, em cinco anos, é de 7.672,51 onças finas.
O ano mais produtivo foi 2022 com 2.682,87 onças, seguido de 2021 (1.915,42) e 2023 (1.324,00). O ano de 2020 surge com 1.034,47 onças, enquanto 2019, com 625,98 e o 2024, com apenas 89,77 (um trimestre) completam o quadro da produção.
Em termos de facturação, as vendas de 2021, 2022 e 2023 renderam ao país 3,39 milhões de dólares e mais 6,43 milhões de euros, das vendas de 6.563,95 onças aos Emirados Árabes Unidos e Portugal, respectivamente.
A produção de Ouro em Angola, de 2023 para 2024, deve subir de 3,75 para 4,68 milhares de onças finas, um crescimento anual de 24,80 por cento.
Estas metas previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 foram, no Huambo, reiteradas pelo director nacional para os Recursos Minerais do Ministério de tutela.
Paulo Tanganha apresentou as metas, estratégias e resultados no "Workshop sobre a Produção de Ouro”, realizado na província do Huambo, no quadro das actividades alusivas à Jornada do Dia do Trabalhador Mineiro, que decorre de 17 a 29 desse mês.
De acordo com os dados partilhados, no acumulado de quatro anos, a produção de ouro no país deve crescer mais de 150 por cento.
A maturidade do plano será alcançada já em 2027, altura em que se prevê uma subida de 50,11 por cento, depois de em 2026 projectar-se 49,83 por cento e para 2025 25,21 por cento, respectivamente.
De acordo com o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, a promoção de mais projectos com potencial geológico-mineiro para o ouro requer intensificar a interacção multissectorial no âmbito do "Domínio Tranversal 3 do Plano de Desenvolvimento Sectorial dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás 2023-2027” sobre a coordenação institucional para o desenvolvimento de infra-estruturas nas zonas mineiras, tal como, para a rede de transmissão de energia, linhas de comunicação (estradas e pontes) e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para atender as necessidades da Internet das Coisas.
Enquanto isto, a Refinaria de Ouro em construção no município de Viana, em Luanda, poderá ser inaugurada e oficialmente aberta no primeiro semestre de 2025, anunciou, esta quinta-feira, o director-geral da Geoangol, Domingos Baptista.
O responsável que falava à margem do Workshop sobre Recursos Minerais e a Cadeia de Valor do Ouro em Angola, na província do Huambo, explicou que em termos de execução física, as obras estão em 50 por cento e prevê a conclusão até ao final deste ano.
"As obras da Refinaria de Ouro, em termos de execução física, estão a 50 por cento e prevê-se a conclusão das mesmas e início das operações no final deste ano, mas oficialmente poderá ser inaugurada no primeiro semestre de 2025”, sublinhou.
Disse, ainda, que o projecto vai contar com 23 técnicos para o arranque e funcionamento, formados num centro especializado, em Portugal, onde usaram os mesmos equipamentos e tecnologias que serão aplicados na Refinaria.
"Os nossos técnicos trabalharam nos mesmos equipamentos que vamos usar na Refinaria. Portanto, estes técnicos estão agora a fazer outras formações e merecerão também uma formação o"in job", na altura em que estivermos a montar os equipamentos. Teremos a condições de criar a economia localmente para podermos fabricar as barras de ouro”, afirmou.
Os trabalhos em curso contam com a assessoria de países com alguma tradição com uma exploração mineira, sobretudo de metais preciosos, como Portugal, Tanzânia e do Ghana também, avançou o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, no Facebook.
Localizada no Pólo Industrial de Viana, em Luanda, com um orçamento avaliado em sete milhões de dólares, a primeira pedra que deu origem à construção foi colocada em Junho de 2022, e a obra, no seu todo, teve início em Outubro do mesmo ano. O empreendimento prevê uma capacidade de refinação de cerca de 25 quilogramas de ouro por dia.