INVESTIMENTO
Ministra das Finanças defende investimento público em Angola

20/06/2024 13h49
Luanda - A ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, defendeu, esta quinta-feira, em Luanda, que o investimento público em Angola é inadiável, porque há muito por fazer no país, mas a dívida pública deve estar em condições de sustentabilidade.
Ao discursar na apresentação da décima oitava edição do estudo “Banca em Análise”, Vera Daves salientou que a má despesa é o pior dos impostos e pode gerar a mais insuportável das dívidas, pelo que o Executivo deve continuar a fazer o caminho para melhorar a qualidade da despesa.
O desafio, sublinhou, é manter a dívida publica em condições de sustentabilidade, assegurando ao mesmo tempo o funcionamento das instituições, a assistência aos mais desfavorecidos e o investimento público que é inadiável.
“Há tanto para fazer em vários pontos do país”, realçou, acrescentando que o bom combate é garantir que o investimento é feito sem colocar o país em situação de insustentabilidade.
A ministra considerou que o crescimento económico é o único caminho a seguir e destacou o papel da banca, que se deve adequar à realidade atual, indicando que o crédito ao sector privado regista uma tendência crescente.
“Não obstante a redução de 5% verificada no ano de 2021, o crédito ao sector privado continua a registar uma tendência crescente em termos nominais, comparativamente ao ano de 2022, o crédito ao sector privado cresceu 28,8%, em 2023, e 7,9%, de Dezembro de 2023 a Maio de 2024”, revelou.
Admitiu que as taxas de juro vigentes permanecem proibitivas, para quem quer iniciar um negócio ou melhorar a tesouraria, justificando a participação insuficiente da banca no investimento privado com a trajectória da inflação e as necessidades de financiamento do Estado angolano.
“Não sou inocente, assumo que também recorremos a vós para financiar a actividade do Estado, mas há um caminho de participação no desenvolvimento económico e social que passa por um melhor equilíbrio entre crédito ao Estado, com condições sustentáveis e as melhores taxas de juro e maturidades possíveis, e crédito ao sector privado”, reconheceu.