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Venda parcial do BFA pode render mais de 95 milhões de euros ao BPI

Banco de Fomento Angola (BFA)
Banco de Fomento Angola (BFA) Imagens: Reprodução/Edições Novembro

Redacção

Publicado às 10h44 06/05/2025

Lisboa - O presidente do banco português BPI revelou, esta segunda-feira, que a venda parcial em bolsa do Banco de Fomento de Angola (BFA) acontece, em Julho próximo, e estimou que a sua instituição pode encaixar mais de 95 milhões de euros, com a alienação de 14,75 por cento que detém.

"O processo de IPO (venda em bolsa do BFA) está a correr muito bem. Acreditamos que o IPO se irá realizar no verão", em Julho, disse João Pedro Oliveira e Costa, em Lisboa, na conferência de imprensa de apresentação das contas do primeiro trimestre do BPI, com lucros de 137 milhões de euros.

Adiantou que está a correr bem a preparação da operação que envolve BPI e a Unitel (os dois accionistas do BFA), com uma "capacidade de encontro de ideias e princípios inabalável" entre ambos, mas que ainda não pode falar em interessados na compra, pois não foi concluído o preço a que o banco será colocado à venda, nem contactos com investidores.

"Neste momento, não podemos falar em interessados, nem sequer existe valor final, estamos a fechar os últimos pormenores nesse aspecto e o 'road show' (contactos com investidores) ainda não se iniciou", disse, citado pela agência Lusa.

Actualmente, o BFA é detido em 51,9 por cento pela operadora de telecomunicações Unitel (nacionalizada em 2022, incluindo a participação de Isabel dos Santos) e em 48,1 por cento pelo BPI.

Desde 2017, o BPI tem uma recomendação do Banco Central Europeu (BCE) obrigando a reduzir a exposição a Angola, por considerar que a supervisão angolana não é equivalente à europeia.

João Pedro Oliveira e Costa disse que em Julho será vendido em bolsa 29,75 por cento do BFA, sendo 15 por cento da Unitel e 14,75 por cento do BPI.

O BPI explicou que o BFA está contabilizado a 650 milhões de euros, pelo que a participação de 14,75 por cento equivale a cerca de 95 milhões de euros.

Oliveira e Costa disse acreditar que, tendo em conta a avaliação actual do sector bancário, o BPI conseguirá vender os 14,75 por cento do BFA acima do valor a que está contabilizado ('book value').

"Temos a expectativa de que a operação venha a posicionar-se acima do 'book value'. A nossa expectativa é muito positiva, é uma das melhores instituições bancárias do continente africano, com uma estabilidade de resultados importantíssima e reputação elevada", disse Oliveira e Costa.

Caso a venda da posição do BPI se concretize, este ficará com uma participação no BFA de cerca de 33 por cento.

Oliveira e Costa afirmou que esta redução da participação deixará o BCE em "maior conforto", mas também que, de futuro, o BPI poderá reduzir mais a sua participação (através de vendas) se houver interessados.

Mesmo agora, disse, o supervisor "não tem dado sinais de preoucupação", o que atribui, quer ao comportamento do banco angolano, quer às inciativas do Governo angolano, para aproximar as metodologias de supervisão angolana às europeias.

O presidente do BPI acrescentou que, mesmo com a participação no BFA reduzida a 33 por cento, o BPI manterá no BFA poder de decisão e bloqueio.

Segundo explicou, foi acordado com a Unitel e com o Estado angolano que qualquer alteração de estatutos, de política de dividendos ou de governo não pode ser realizada, sem o acordo do BPI.

"Não posso estar num mercado tão distante em que não tenha capacidade de voz", disse Oliveira e Costa, considerando que esta salvaguarda dos direitos do BPI e a sua manutenção como importante accionista do BFA também dará segurança a novos investidores.

A venda de parte do BFA será feita na bolsa de Luanda. "Será a maior operação a realizar na ainda jovem bolsa de Angola, será um desafio, mas entendemos que é dos melhores activos disponíveis para investidores", afirmou.

O BPI divulgou, esta segunda-feira, ter tido lucros de 137 milhões de euros, nos primeiros três meses deste ano, numa subida homóloga de 13 por cento.

O aumento dos lucros deve-se à contabilização dos dividendos do Banco de Fomento Angola (BFA), relativos a 2024, de 46 milhões de euros, uma vez que a margem financeira (a principal receita de um banco, a diferença entre juros cobrados nos créditos e juros pagos nos depósitos) caiu nove por cento, para 223 milhões de euros.

Apenas na actividade em Portugal, o lucro caiu 13 por cento em termos homólogos, para 98 milhões de euros.

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