Queda do preço de petróleo pode obrigar a cativação de despesas
Luanda – O ministro de Estado para Coordenação Económica, José de Lima Massano, disse que a baixa do preço do barril de petróleo no mercado internacional, poderá forçar o Governo angolano a cativar despesas de bens, serviços e de capital, para ajustar o exercício económico de 2025.
Em entrevista ao jornal português Negócios, publicada esta semana, José de Lima Massano adiantou que o actual quadro obriga o Executivo a rever a sua estratégia macro-económica, uma vez que o Orçamento Geral do Estado de 2025 foi aprovado com a previsão do preço do barril de petróleo a 70 dólares.
Considerou que, no pior cenário, poderá acontecer uma revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2025.
Recorde-se que, ao longo dos primeiros quatro meses do corrente ano, o preço do barril de petróleo brent, que serve de referência para as exportações de Angola, tem oscilado entre os 60 e 65 dólares, valores que estão abaixo do previsto no OGE/2025 (70 dólares por barril).
Sublinhou que, do ponto de vista dos alertas e da condução das políticas económicas, a descida do preço do petróleo reforça a importância e a necessidade de se prosseguir com a diversificação económica e o crescimento sustentável da economia.
José Massano referiu que os instrumentos de gestão financeira disponíveis permitem ao país ajustar as despesas, enfatizando que, caso haja um agravamento significativo do quadro actual, o país poderá recorrer ao auxílio de programas de financiamento de instituições multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sobre a Cimeira de Negócios EUA-África, a realizar-se de 22 a 25 de Junho próximo, em Luanda, disse que valoriza a diplomacia económica que o Presidente da República, João Lourenço, tem desenvolvido, particularmente na mobilização de investimentos para o desenvolvimento de infra-estruturas no continente africano.
Realçou que o país vai manter a sua posição accionista na Galp e no BCP, em Portugal, tendo solicitado mais investimento português, e reafirmou que o Governo angolano continua focado na produção nacional, como forma de garantir a segurança alimentar.