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Japão expectante na presença de Angola na TICAD em Yokohama

Japão expectante na presença de Angola na TICAD em Yokohama
Japão expectante na presença de Angola na TICAD em Yokohama Imagens: DR

Redacção

Publicado às 16h32 06/07/2025 - Actualizado às 16h32 06/07/2025

Luanda – O Japão considera a próxima Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD), em Agosto deste ano, em Yokohama, uma “grande oportunidade” para estreitar a cooperação bilateral com Angola, esperada no evento como presidente da União Africana (UA).

Segundo o embaixador extraordinário e plenipotenciário do Japão para a TICAD, Maruyama Norio, Angola é um país “muito importante” no cenário mundial e, este ano, mais importante ainda enquanto embaixadora da União Africana.

Por essa razão, disse, o Estado nipónico está muito expectante e satisfeito em acolher Angola enquanto co-organizadora do evento em representação da UA.

Maruyama Norio falava durante um encontro sábado, em Luanda, com a imprensa angolana, para apresentar os objectivos da TICAD, que este ano entra na sua nona edição, e os resultados alcançados desde a primeira conferência realizada, em 1993.

Nesta nona edição da TICAD, agendada para 20 a 22 de Agosto, em Yokohama, o Japão espera trabalhar em conjunto para criar soluções concretas para os diversos problemas que o país, África e a comunidade internacional enfrentam, com base na confiança fomentada ao longo dos últimos 30 anos, disse.

Ao fazê-lo, acrescentou, o Japão pretende promover a prosperidade e a mudança tanto para si como para África, o que é igualmente aplicável às áreas da paz, da estabilidade, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das alterações climáticas, da educação, da saúde e do desenvolvimento de recursos humanos.

Explicou que o objectivo principal da TICAD9 é a “co-criação” de soluções aos desafios que África e a comunidade internacional enfrentam e fortalecer a cooperação com o continente africano com vista a reforçar a governação mundial.

De acordo com o diplomata japonês, as discussões temáticas do encontro estarão baseadas em três pilares centrais tais como sociedade, paz e estabilidade e economia, com foco em questões ligadas às parcerias publico-privqdas, à juventude e mulheres, à integração regional e ao fortalecimento da conectividade dentro e fora de África.

A TICAD foi lançada em 1993, quando a cidade de Tóquio acolheu a primeira edição, seguindo-se as de 1998 e 2003, também na capital nipónica, antes de passar para Yokohama, em 2008 e 2013.

O continente africano já acolheu duas edições, através do Quénia, em Nairobi (2016) e da Tunísia, em Tunes (2022), antes da sétima edição realizada em 2019, Yokohama, com foco no negócio africano nas vertentes económica, social e de paz e estabilidade.

Multilateralidade versus bilateralidade

Nario explicou que, contrariamente ao que acontece com iniciativas aparentemente similiares como as da China, da Índia, da Rússia, da União Europeia (EU) e outras, a TICAD é um evento multilateral, enquanto conferência internacional.

Por essa razão, justificou, são convidados para participar no encontro não apenas os países africanos, mas também os parceiros de África, incluindo a própria China, a Índia, os Estados-membros da EU, bem como outros países da Ásia e da América Latina

Por outro lado, prosseguiu, o Japão não é a única entidade organizadora da Conferência que actualmente conta com quatro outros co-organizadores, designadamente a Comissão da União Africana, o Banco Mundial, a ONU e o Programa daS Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A TICAD é uma plataforma para discutir quais são as formas mais eficazes de promover o desenvolvimento de África, tendo em conta a atmosfera internacional e a evolução do continente, assim como o que o Japão e organizações internacionais como o PNUD podem fazer para o efeito, disse.

Sobre a história da TICAD, indicou que a primeira edição, realizada em 1993, representou um marco muito importante para o Japão, porque permitiu ao país fazer muitas amizades, especialmente em domínios com os quais ainda não estava familiarizado, como a área da defesa.

A título de exemplo, recordou que o Japão tem um limite constitucional que o impede de dispor de um exército ofensivo, limitando-se à autodefesa, o que impõe a necessidade de fazer alianças para garantir as intervenções militares ofensivas.

Neste contexto, o Japão considera que o importante é participar nas operações militares da ONU como forma de contribuir para a paz e a segurança internacionais, através do envio das sua forças para apoio logístico às missões de paz, disse.

Indicou que, além do apoio logístico, o Japão também pode apoiar os processos de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) bem como as operações de desminagem em várias partes de África.

Detentor de uma infra-estrutura “muito forte”, o Japão pretende partilhar as suas experiências bem sucedidas nesse domínio com o continente africano através da criação de parcerias asiáticas com África, concluiu.

Convite formal ao presidente da UA

Na sexta-feira, o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, recebeu uma mensagem do primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, com conteúdo relacionado à participação na TICAD9, na qualidade de presidente da UA.

Foi portador da missiva Daishiro Yamagiwa, como emissário do chefe do Governo nipónico, que em declarações à imprensa, à saída da audiência, confirmou que o presidente em exercício da UA foi convidado a co-presidir ao evento de Agosto próximo, em Yokohama.

“Trouxe uma carta do senhor primeiro- ministro do Japão para solicitar a cooperação do Presidente Lourenço como co-presidente desta conferência,” afirmou o enviado especial do Governo japonês.

Explicou que a TICAD é uma plataforma de alto nível para discutir estratégias de parceria e desenvolvimento com o continente africano.

“Esta será a nona conferência, com enfoque no desenvolvimento económico de África,” disse Yamagiwa, referindo que, nos últimos 10 anos, o foco da cooperação evoluiu de áreas como saúde básica e infra-estrutura para iniciativas voltadas para o crescimento económico sustentável.

O enviado japonês destacou ainda o bom estado das relações bilaterais entre Angola e o Japão, apontando, contudo, haver espaço para um maior aprofundamento, sobretudo na vertente económica.
“As relações são boas, mas acreditamos que ainda há muito espaço para desenvolver essa cooperação,” concluiu.

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