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PR reconhece industrialização como motor estratégico da transformação de África

Presidente da República e em exercício da União Africana discursa na reunião de alto nível sobre a IV Década de Desenvolvimento Industrial de África
Presidente da República e em exercício da União Africana discursa na reunião de alto nível sobre a IV Década de Desenvolvimento Industrial de África Imagens: Edições Novembro

Redacção

Publicado às 12h17 25/09/2025 - Actualizado às 12h17 25/09/2025

Luanda – O Presidente da República e em exercício da União Africana, João Lourenço, defendeu, esta quarta-feira, em Nova Iorque, que a industrialização de África é uma condição essencial para assegurar prosperidade, integração regional e soberania económica dos países do continente.

Ao discursar na reunião de Alto Nível sobre a quarta Década de Desenvolvimento Industrial de África (IDDA IV), adiantou que o futuro do continente, com mais de 1,4 mil milhões de cidadãos, está assegurado com a industrialização como caminho a percorrer para oferecer empregos, empoderar as mulheres e posicionar o continente no coração da economia do conhecimento e da transição energética.

Sublinhou que a Agenda 2063 da União Africana reconhece claramente a industrialização como motor estratégico da transformação do continente, assente em pilares como a agro-indústria, pequenas e médias empresas, sector privado, cadeias de valor regionais, economia verde e produtividade.

Salientou o Programa Abrangente de Desenvolvimento Agrícola de África (CAADP), lançado em 2003 e reafirmado em 2014, como exemplo de que a agricultura, que representa 17 por cento do PIB do continente e garante emprego a cerca de 50 por cento da população da África Subsariana, deve estar ligada à industrialização.

João Lourenço lamentou que o comércio agro-alimentar intra-africano ainda seja incipiente, comparado com outros continentes, evidenciando a importância da industrialização, como chave para desbloquear todo o potencial do sector agrícola e transformá-lo em cadeias de valor regionais fortes.

Reconheceu ser indispensável a mobilização de financiamento inovador, Incluindo fundos de capital de risco, títulos de desenvolvimento sustentável e parcerias público-privadas eficazes, assim como a capacitação técnica e tecnológica do capital humano, para se transformar o mercado africano num espaço competitivo, dinâmico e interligado.

Experiência de Angola

Ao referir-se a experiência de Angola, recordou a cooperação de longa data com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), apoiado no Programa-Quadro celebrado em 2016, visando o apoio à diversificação económica e o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável virado para a construção de infra-estruturas, promoção da industrialização e fomento da inovação.

Citou, a título de exemplo, como resultado da execução do programa, a criação de parques industriais rurais e programas de substituição de importações e promoção das exportações, que aumentaram a capacidade de produção nacional.

Destacou os investimentos em infra-estruturas estratégicas como o Corredor do Lobito, que conecta o oceano Atlântico ao interior do continente e ao mundo, e na expansão de zonas industriais e cadeias de valor globais, para potenciar Angola como plataforma logística e placa giratória de transformação regional.

Recordou que, por iniciativa de Angola, realiza-se, em Outubro próximo, em Luanda, a Cimeira sobre Financiamento de Infra-Estruturas como Factor de Desenvolvimento de África, com vista a alinhar investimentos estratégicos e consolidar parcerias regionais e internacionais.

Reafirmou o compromisso de Angola em trabalhar com a União Africana, Nações Unidas, bancos de desenvolvimento, sector privado e sociedade civil na criação de sinergias e mobilização de recursos que transformem a visão de acelerar a industrialização de África numa realidade.

Esta reunião de alto nível foi organizada pela ONUDI, em parceria com a Comissão da União Africana, num evento de alto nível para a promoção e advocacia da quarta Década de Desenvolvimento Industrial para África, em paralelo aoctogésima sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Recorde-se que a terceira Década para o Desenvolvimento Industrial de África, que foi proclamada em Julho de 2016, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, terminou este ano.

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