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Pescas vai contribuir com 4,5 por cento para o PIB nos próximos cinco anos

Setor de pesca é um dos mais fortes de Angola
Setor de pesca é um dos mais fortes de Angola Imagens: Anabela Fritz/Angop

Redacção

Publicado às 12h36 05/11/2025

Luanda – O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, revelou, esta terça-feira, em Luanda, que a contribuição do sector das pescas para a economia angolana deve duplicar, nos próximos cinco anos, e atingir cerca de 4,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Ao discursar na abertura da Conferência Internacional sobre Pescas e Aquicultura Sustentável, José de Lima Massano adiantou que, para atingir tal objectivo é necessário acelerar os investimentos, com a participação do sector privado.

“Precisamos de mais infra-estruturas de produção, logística e distribuição, incluindo unidades de tratamento, conservação, transformação e embalagem do pescado, transporte refrigerado, centros de distribuição e redes de comercialização”, realçou.

Disse serem também necessárias unidades de fabrico de equipamentos navais, industriais e de artefactos de pesca, bem como capacidades técnicas para a prestação de serviços associados, reconhecendo ser urgente desenvolver a produção nacional de ração, criar centros de formação profissional, empresas de apoio à gestão, certificação sanitária e as boas práticas de cultivo e ferramentas digitais, que liguem os produtores informais ao mercado formal.

José de Lima Massano sublinhou que o sector das pescas é de enorme relevância para o desenvolvimento económico e social do país, recordando que Angola possui uma costa de mil 650 quilómetros, uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) de aproximadamente 330 mil quilómetros quadrados de área marítima e 77 bacias hidrográficas que representam uma riqueza natural de valor inestimável.

Salientou que a pesca artesanal constitui para muitas famílias um meio essencial de subsistência e o peixe representa uma componente significativa da dieta proteica de muitos angolanos, destacando que o sector das pescas e aquicultura, além de contribuir para a segurança alimentar, possui um elevado potencial para dinamizar serviços e indústrias complementares.

Neste contexto, realçou, o Executivo definiu o Programa Nacional de Desenvolvimento 2023–2027 e a Estratégia Nacional para o Mar de Angola 2030, colocando o mar e os recursos aquáticos nas prioridades económicas e ambientais, numa visão que conjuga crescimento económico com sustentabilidade ecológica.

Realçou que o ambiente regulatório e institucional tem registado avanços notáveis e o clima de negócios segue a mesma trajectória, pelo que convidou os investidores privados a tomarem parte do potencial que o sector de pescas e aquicultura oferece.

Exortou para uma gestão responsável dos recursos aquáticos, por ser essencial para garantir a sua sustentabilidade e a sua contribuição para a segurança alimentar, emprego e desenvolvimento da economia nacional.

Considerou ser pretensão garantir que a actividade nas pescas e aquicultura represente um equilíbrio justo entre a produtividade económica, a responsabilidade ambiental e o bem-estar social das comunidades, fazendo com que o país se afirme como referência regional na economia azul, integrando investigação científica, investimento privado e responsabilidade ambiental.

A Conferência Internacional sobre Pescas e Aquicultura Sustentável reúne decisores públicos, especialistas nacionais e estrangeiros, pescadores, investidores e organizações multilaterais para concertação e partilha de experiências.

Participaram na abertura ministros e secretários de Estado, representantes do corpo diplomático e organizações internacionais, parceiros sociais, académicos, investigadores, empresários e representantes das comunidades piscatórias.

Durante dois dias, os participantes abordam temas como governação, cooperação, mudanças climáticas, inclusão de género e financiamento, sob o lema “Pesca responsável e aquicultura sustentável: Um desafio, um compromisso e uma missão unindo a Nação”.

Participam mais de 300 convidados, entre oradores, moderadores e representantes provenientes da Namíbia, África do Sul, Ghana, Tanzânia, Camarões, Portugal, Espanha, Brasil, Noruega e Alemanha, além de organizações internacionais e parceiros estratégicos do sector.

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