PESCAS
Angola prepara-se para exportar sal de elevada pureza
07/11/2025 13h28
Luanda - A ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto, revelou que Angola se prepara para exportar sal de elevada pureza para a República Democrática do Congo e a Zâmbia, no quadro da estratégia de diversificação das exportações e aproveitamento sustentável dos recursos.
Ao intervir, esta terça-feira, em Luanda, na Conferência Internacional sobre Pesca e Aquicultura Sustentável (CIPAS 2025), afirmou que o sal angolano apresenta qualidade próxima dos 100 por cento de pureza, estando o país a importar o produto apenas para as indústrias alimentar, cervejeira, assim como equipamentos de hemodiálise e produção de detergentes.
Sublinhou que, na província de Benguela, está em construção uma fábrica que deve suprir a necessidade de ácido clorídrico, produto importante para o fabrico de detergentes, com vista a ampliar a capacidade industrial nacional e criar postos de trabalho, dentro da visão do Executivo de fortalecimento da economia azul.
Deu a conhecer que o sector das pescas vai crescer nos próximos anos, sustentado em evidências científicas e na valorização de activos estratégicos, como o navio de investigação Baía Farta e o programa Calunga.
Disse que o programa Calunga contempla três componentes, nomeadamente gestão do navio de investigação, criação de uma base de dados científica partilhada entre o Estado e o sector privado e modernização do Instituto de Investigação Científica Pesqueira e Marinha, visando responder às exigências da economia azul.
Carmen do Sacramento Neto referiu que o crescimento do sector será impulsionado por uma gestão sustentável dos recursos marinhos e pela reorganização da cadeia de valor do pescado, medidas que vão aumentar a produção e criar mais emprego.
Reafirmou a previsão do sector das pescas duplicar a sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, alcançando 4,5 por cento, nos próximos cinco anos, sustentado em evidências científicas e na valorização de ativos estratégicos.
A conferência internacional, que decorreu dias 03 e 04 do corrente mês, juntou decisores públicos, especialistas nacionais e internacionais, pescadores, investidores e organizações multilaterais, visando promover a concertação e partilha de experiências.
O encontro abordou temas ligados a governação, cooperação, mudanças climáticas, inclusão de género e financiamento, sob o lema “Pesca Responsável e Aquicultura Sustentável: Um desafio, um compromisso e uma missão unindo a Nação”.
Participaram mais de 300 convidados, entre oradores, moderadores e representantes de Angola, Namíbia, África do Sul, Ghana, Tanzânia, Camarões, Portugal, Espanha, Brasil, Noruega e Alemanha, além de organizações internacionais e parceiros estratégicos do sector.