INDúSTRIA

Inaugurada fábrica de processamento de tomate no Dombe Grande

Produção de tomateImagem: DR

08/02/2026 14h12

Luanda – Uma fábrica de processamento de tomate foi inaugurada, este sábado, no município do Dombe Grande (província de Benguela), pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira.

Rui Miguêns de Oliveira disse que a inauguração representa um passo decisivo para a produção e para a industrialização do país.

A fábrica, avaliado em cerca de 3,5 milhões de dólares, resulta de um investimento privado do grupo empresarial liderado por Adérito Areias, com fundos próprios aplicados na reabilitação estrutural e tecnológica de parte do complexo industrial e as câmaras de conservação.

Nesta fase inicial, a unidade vai processar até 120 toneladas de tomate por dia, o que corresponde a uma necessidade anual estimada em cerca de 30 mil toneladas de matéria-prima, proveniente maioritariamente da produção agrícola local.

O ministro da Indústria e Comércio sublinhou que a fábrica permite transformar o tomate de qualidade produzido na região em produtos industrializados de alto valor acrescentado, com impacto directo na criação de empregos, relançamento da economia do Dombe Grande e desenvolvimento da província de Benguela e do país.

Sublinhou que a fábrica demonstra o compromisso com o desenvolvimento agrícola, valorização do produtor rural e aumento da produtividade, e insere-se na estratégia do Executivo voltada para a industrialização nacional, diversificação da economia e redução da dependência externa.

Disse que a mesma enquadra-se nos objectivos do Plano de Desenvolvimento Industrial de Angola, que visa reduzir a importação de bens alimentares de largo consumo, aumentar a produção nacional com maior incorporação de valor local, reforçar a competitividade da indústria e promover emprego digno, sobretudo para jovens e mulheres.

Rui Miguêns de Oliveira recordou igualmente o Decreto Presidencial, que estabelece o regime jurídico de incentivo à produção nacional, criando mecanismos para fomentar o empresariado angolano, facilitar o acesso ao crédito e garantir maior integração dos produtos nacionais nas cadeias de fornecimento.

Entre os instrumentos de apoio ao sector produtivo, referiu o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), o Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (FACRA) e o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), além do papel do sector financeiro privado e da promoção de consórcios e cooperativas.

Apelou a indústria de bebidas para reforçar o consumo de polpas de frutas nacionais, defendendo que o país não deve desperdiçar a produção agrícola quando existem capacidades industriais para o seu aproveitamento.

Salientou que a industrialização contribui para a estabilidade dos preços dos alimentos, reforça o poder de compra das famílias e fortalece a segurança alimentar nacional.

 

Adérito Areias revelou que um dos principais constrangimentos à sustentabilidade do projecto é a insuficiência do fornecimento de energia eléctrica, situação que obriga a a recorrer a geradores, com um consumo diário de combustível estimado em cerca de três mil litros de gasóleo.

Reconhece que este esforço energético representa um custo extremamente elevado, impactando de forma significativa no preço final dos produtos e reduzindo a competitividade da produção nacional face ao produto importado.

A unidade de processamento poderá, numa fase posterior, trabalhar no aproveitamento de frutas sazonais, como o ananás, para a produção de sumos, doces e outros derivados.

Em termos de impacto social, a unidade vai criar 60 postos de trabalho directos, dos quais cerca de 90 por cento destinados a cidadãos residentes no Dombe Grande.

Assistiram a cerimónia de inauguração, o governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, o ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, o secretário para o Sector Produtivo do Presidente da República, e a presidente do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrícola (FADA), Felisbela Francisco, entre outras entidades.

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