Emitidas mais de 12 milhões de acções no mercado primário da BODIVA em quatro anos
Luanda - O mercado primário da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) registou, entre 2022 e 2025, a emissão de 12,31 milhões de acções e 9,5 milhões de obrigações, que levou a arrecadação de 292,60 mil milhões de kwanzas.
Os dados foram revelados pela presidente da Comissão Executiva da BODIVA, Cristina Lourenço, à margem do Fórum BODIVA, realizado em simultâneo com a Feira de Mercado de Capitais, sob o lema “Mercado de Capitais 4.0: Inovação e o Futuro do Financiamento em Angola”, que reuniu, em Luanda, investidores, potenciais emitentes, empresas, famílias e estudantes universitários.
Em declarações à imprensa, Cristina Lourenço adiantou que o objectivo do fórum foi o de possibilitar que os intermediários financeiros expusessem os seus serviços, apresentando directamente ao público e explicando como funciona o mercado, como as famílias e empresas podem rentabilizar as suas poupanças, através do Mercado de Capitais.
Disse acreditar que o Mercado de Capitais deverá ganhar maior dinâmica, uma vez que o fórum permitiu tirar dúvidas a potenciais emitentes, empresas que queiram potenciar a sua actividade, através da emissão de obrigações e de capital.
Cristina Lourenço lembrou que a BODIVA tem um histórico de uma média entre cinco e 10 mil negócios por ano, tendo os números, em 2025 foram, triplicado para 37 mil negócios, com notável participação das empresas cotadas, sobretudo na negociação do Mercado de Bolsa de Acções.
Reconheceu existir ainda oportunidades de melhoria no acesso ao mercado, disseminação de informação sobre o mercado e facilidade da abertura da conta custódia.
Em função dos resultados alcançados, a BODIVA traçou como acções prementes a atracção do maior número de empresas privadas, visando o lançamento do Índice Bolsista, fomento do surgimento de “Market Makers” para instrumentos privados, assim como a duplicação no médio prazo da quantidade de contas em custódia existentes e activas na Central de Valores Mobiliários de Angola (CEVAMA).
O cumprimento dos trâmites para consolidar a Bolsa de Valores assenta num plano rigoroso tendente à elevação da capitalização do mercado entre os pressupostos para atingir até 50 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), nos próximos cinco anos, realçou.
As metas foram estabelecidas, em função do dinamismo registado no mercado no exercício de 2025, em que o total de dividendos distribuídos se situou em 92,82 mil milhões de kwanzas, tendo maior protagonismo o Banco Angolano de Investimento (BAI), com a arrecadação de 63,66 mil milhões de kwanzas, seguido do Banco Caixa Angola, 23,33 mil milhões, a Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA), 4,30 mil milhões, e a BODIVA, 555,72 milhões de kwanzas.
Os indicadores mais expressivos do desempenho recaem para os 37 mil 156 negócios liquidados, entre Janeiro e Dezembro de 2025, correspondente a 2,70 mil milhões em valores liquidados, sendo 35 mil 687 negócios em kwanzas e mil 469 em dólares.
A Central de Valores Mobiliários de Angola (CEVAMA) registou 739 eventos, 347 dos quais em kwanzas e 392 em dólares, período em que o montante liquidado em eventos de distribuição de rendimentos resultou em 2,07 biliões de kwanzas, o que representa um decréscimo de 26,28 por cento, face ao resultado de 2024.
A Etu Energias integrou o maior montante na CEVAMA, fixado em 73 mil milhões de kwanzas, ao passo que o BAI se destacou na segunda posição com 50 mil milhões de kwanzas.
O valor total do montante custodiado na Central de Valores Mobiliários de Angola, referente às emissões públicas, é de 17,14 biliões de kwanzas, correspondente a um aumento de 44,99 por cento, face a 2024, sendo que as emissões privadas registaram uma variação homóloga na ordem dos 34,62 por cento, enquanto as emissões públicas cresceram 65 por cento.
O BFA Capital Market teve o melhor desempenho em negociações nos mercados da BODIVA, com montantes transaccionados na ordem dos 1,98 bilião de kwanzas, ao longo do exercício de 2025, numa altura em que o Banco Nacional de Angola assume a liderança como membro associado, ou seja, uma quota de mercado de 30 por cento, seguido do BFACM, 18,50 por cento, a AUREA, 16,96, o PCAP (6,67), o Standard Invest (6,57) e a PRIME com 4,67 por cento.