Angola mobiliza 2,5 mil milhões de dólares na emissão de Eurobonds
Luanda - Angola mobilizou 2,5 mil milhões de dólares nos mercados internacionais, através de uma nova emissão de Eurobonds, anunciou, esta terça-feira, em Luanda, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Segundo disse, a emissão resulta de uma operação com procura de 5,2 mil milhões de dólares, reflectindo o crescente interesse dos investidores pelo risco angolano impulsionado pela valorização do crude.
José de Lima Massano deu a conhecer que os 2,5 milhões de dólares, captados nos mercados do Reino Unido e dos Estados Unidos da América, destinam-se a financiar o Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026.
Adiantou que o país emitiu dois títulos, nomeadamente 1,5 mil milhões de dólares com maturidade a sete anos e mil milhões de dólares com maturidade a 11 anos.
Segundo a agência Bloomberg, os dois títulos ficaram cerca de 0,25 pontos percentuais abaixo das estimativas iniciais, sinal claro da forte adesão dos mercados à operação.
Parte das receitas será destinada à recompra de títulos com juro de 8,25 por cento e vencimento em 2028, numa estratégia de gestão activa da dívida pública, segundo a Bloomberg.
Angola ressalvou, contudo, não estar obrigada a adquirir a totalidade dos títulos colocados à recompra.
A actual operação insere-se numa trajectória que remonta a Novembro de 2015, quando Angola se estreou nos mercados de dívida soberana internacional, com a emissão “Palanca I”, que captou 1,5 mil milhões de dólares, através de um consórcio liderado pelo Goldman Sachs International, com participação do Deutsche Bank e do ICBC International, a uma taxa de juro de 9,5 por cento e maturidade de dez anos.
Em Maio de 2018, seguiram-se as emissões “Palanca II e III”, no valor total de 3,5 mil milhões de dólares, repartidos entre títulos de 10 e 30 anos, com cupões de 8,25 e 9,375 por cento, respectivamente, esta última reaberta mais tarde com um acréscimo de 500 milhões de dólares.
Em Novembro de 2019, o país regressou ao mercado com três mil milhões de dólares, divididos entre “Palanca IV e V”, com maturidades de 10 e 30 anos e cupões de oito e 9,125 por cento, respectivamente.
Em Abril de 2022, foi lançada a “Palanca VI”, no valor de 1,75 mil milhões de dólares, com cupão de 8,75 por cento e maturidade de 10 anos.
Em Dezembro de 2024, Angola emitiu ainda Eurobonds no valor de 1,2 mil milhões de dólares, com taxa de cupão de 10,95 por cento e maturidade de seis anos, marcando o retorno ao mercado, após um período de ausência.
Em Outubro de 2025, o país voltou com uma emissão de 1,75 mil milhões de dólares, estruturada em duas tranches, nomeadamente mil milhões a cinco anos com cupão de 9,25 por cento e 750 milhões a 10 anos com cupão de 9,78 por cento, registando intenções de investimento de seis mil milhões de dólares.
Desde 2015, Angola acumulou mais de 14 mil milhões de dólares em emissões de Eurobonds nos mercados internacionais.
De acordo com a Bloomberg, o contexto geopolítico favoreceu a mais recente operação, recordando que o conflito que opõe os EUA e Israel ao Irão perturbou as cadeias de abastecimento de petróleo, elevando as cotações globais e tornando os produtores fora do Médio Oriente mais atractivos para os investidores.
Angola, terceiro maior produtor de petróleo de África, beneficia directamente desta dinâmica.
A operação ocorre num momento de custos de financiamento mais elevados para os emissores de mercados emergentes.
Analistas alertaram que taxas de juro acima dos nove por cento reflectem condições de financiamento pouco apelativas, influenciadas pela evolução do preço do petróleo, classificação de risco do país e manutenção de taxas de juro elevadas em economias mais competitivas como os Estados Unidos.
Ainda assim, a procura expressiva registada na operação reforça a confiança dos mercados na trajectória económica de Angola, conclui a agência Bloomberg.