Conflitos geopolíticos provocam impactos na aviação civil
Luanda – O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, disse, esta terça-feira, em Luanda, que os conflitos geopolíticos em diferentes regiões do mundo têm provocado impactos significativos no sector da aviação civil.
Ao discursar na abertura da septuagésima quinta Conferência do Conselho Internacional de Aeroportos de África, sublinhou os impactos nos custos operacionais, devido a volatilidade dos preços dos combustíveis e nas rotas aéreas, com restrições de espaço aéreo e aumento dos tempos de voo.
Enfatizou ainda os impactos nas cadeias logísticas globais, com efeitos directos no transporte de passageiros e de carga, representando desafios acrescidos para o continente africano, por aumentar os custos de conectividade e reduzir a competitividade de algumas rotas.
Reconheceu que os impactos representam também oportunidades para se repensar o modelo de conectividade africano, visando reforçar as ligações intra-africanas e reduzir dependências externas.
Defendeu que a visão e acção de Angola permanecem alinhadas as prioridades continentais, nomeadamente o reforço da conectividade, redução de barreiras operacionais e promoção da implementação efectiva do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo.
Fez questão de salientar que a aviação deve ser entendida como um património económico crítico, com impacto directo no comércio, turismo, mobilidade e competitividade das economias africanas.
Considerou que o Conselho Internacional de Aeroportos de África desempenha um papel essencial na promoção da cooperação, partilha de conhecimento e adopção de boas práticas, manifestando confiança na capacidade de África em afirmar o seu papel no sistema global da aviação civil.
Sublinhou a importância do Conselho Internacional de Aeroportos de África, como organismo que tem desempenhado um papel fundamental na afirmação de uma agenda africana para a aviação civil.
Recordou que Angola tem vindo a implementar um conjunto de reformas macro-económicas, permitindo restaurar a estabilidade e criar bases mais sólidas para o desenvolvimento, resultando no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com destaque para o sector não petrolífero.
Realçou que, actualmente, o sector dos serviços, onde se inclui a aviação, representa cerca de 46,8 por cento do PIB, a indústria extractiva e transformadora cerca de 27,1, e o agro-pecuário e florestal representa aproximadamente 25,2 por cento.
Salientou que o Executivo trabalha para acelerar investimentos estruturantes, com enfoque na mobilidade, logística e conectividade, que considerou serem áreas determinantes para a integração regional e continental.
Enfatizou que a aviação civil assume um papel central na estratégia de desenvolvimento económico e social do Executivo.
Destacou que Angola tem vindo a reforçar a rede de infra-estruturas aeroportuárias, citando os casos do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, dos projectos em execução em Cabinda e Zaire e o lançamento da construção dos aeroportos de Mavinga e Cazombo, que vão permitir ligar, por via aérea, as 21 capitais de província do país.
No plano institucional, sublinhou os progressos na supervisão da segurança operacional e no reforço do posicionamento de Angola nas organizações internacionais da aviação civil.
José de Lima Massano destacou também o investimento na reestruturação das Linhas Aéreas de Angola (TAAG), com foco na eficiência, modernização da frota e reforço da conectividade internacional.
A realização da conferência em Angola visa reforçar o posicionamento internacional do país no sector da aviação civil, promover o investimento, evidenciando as oportunidades existentes em Angola, assim como estimular a conectividade aérea, com enfoque na integração regional africana, partilhar conhecimento e boas práticas e contribuir para o desenvolvimento sustentável da aviação em África.
Segundo se soube, a sua realização em Luanda insere-se também numa visão mais ampla de transformação do sector, alinhada aos esforços nacionais de modernização da aviação, incluindo a reestruturação de operadores, reforço da frota aérea e estabelecimento de parcerias estratégicas internacionais.
A ACI África é a representação regional africana do Airports Council International (ACI), organização que congrega aeroportos de todo o mundo, tendo como missão promover o desenvolvimento seguro, eficiente e sustentável dos aeroportos do continente.
Defende igualmente os interesses dos aeroportos junto de entidades reguladoras e governos, estimula a cooperação e a partilha de conhecimento entre os seus membros e contribui para a integração do transporte aéreo no continente.
Actualmente, a organização desempenha um papel central na consolidação de uma visão comum para o crescimento da aviação africana, alinhada com iniciativas como o mercado único africano de transporte aéreo e a conectividade intra-africana.