AGRICULTURA

Projecto das infra-estruturas agrícolas no Corredor do Lobito apresentado no Huambo

Projecto das infra-estruturas agrícolas no Corredor do Lobito apresentado no HuamboImagem: DR

14/03/2026 11h47

Huambo – O projecto para a melhoria das infra-estruturas agrícolas sustentáveis para pequenos agricultores na região ao longo do Corredor do Lobito foi apresentado, esta sexta-feira, no Huambo, aos produtores e a cooperativas produtoras de cereais e frutas.

Trata-se de uma iniciativa a ser implementada até 2028 pelo gabinete das Nações Unidas para Serviços de Projectos (UNOPS), em parceria com o Ministério da Agricultura e Florestas, fruto de um fundo de 6,5 milhões de dólares norte-americano, doado pelo Governo do Japão.

Nesta primeira fase, constam apenas sete municípios das províncias de Benguela e do Huambo, com benefício directo de 124 agregados familiares e 620 agricultores, sendo que, de forma indirecta, prevê-se 107 mil e 100 pessoas.

Na ocasião, a coordenadora do projecto pela UNOPS, Carolina Costa, disse que nesta região do Planalto Central do país estão seleccionadas, num primeiro momento, as cooperativas e produtores agrícolas dos municípios da Caála, Huambo e Longonjo.

Adiantou que os fundos já existem e serão feitas infra-estruturas sustentáveis, como barragens subterrâneas especiais, que permitam captar água das chuvas e armazená-las, bem como reabilitar valas de irrigação, fornecimento de sistemas gota a gota e a construção de pequenos armazéns dentro das lavras, para que as colheitas durem mais tempo e sejam transportadas nas linhas férreas.

Referiu que serão fornecidas sementes melhoradas e, em Maio próximo, iniciar-se-á o levantamento dos dados, para estudar a melhor maneira de implementar o projecto, isto é, a pré-selecção dos sítios a colocar as infra-estruturas, elaboração da lista final e recolha dos números para o desenho das acções a materializar.

Disse que serão averiguadas com os produtores e cooperativas que tipos de sementes serão fornecidas pelo projecto, mediante um diálogo aberto, a exemplo do abacate que se cultiva no município da Caála, para aumentar a produção e gerar mais economia, saindo de uma agricultura de subsistência para a comercial.

Realçou que a ideia é aproveitar o Corredor do Lobito e aumentar a colheita no ano inteiro, sem depender das chuvas, para transformar a forma de praticar a agricultura nesta região do país.

Por sua vez, o técnico do Ministério da Agricultura e Florestas, Costa Yoane, afirmou ser uma doação bem-vinda do Governo do Japão, que deve ser aproveitada pelas famílias agrícolas das províncias de Benguela e Huambo, para aumentar a safra da produção.

Sem adiantar números, disse que já estão a ser pesquisados os campos de produção a serem seleccionados, a partir de Maio próximo, sobretudo os que registam a falta de água.

A directora do gabinete da Agricultura no município do Huambo, Augusta Olinda Domingos, enalteceu a implementação do projecto, que vai alavancar o sector, a olhar pelas dificuldades dos sistemas de regas, que, até ao momento, são reduzidos, para além de ajudar na produção durante o ano todo, combatendo a insegura alimentar e a pobreza.

Disse que, em termos hídricos, o município do Huambo está bem servido e as barragens subterrâneas especiais, assim como a reabilitação das valas de irrigação e o fornecimento de sistemas gota a gota, vão reforçar a distribuição da água sempre que houver escassez das chuvas.

Em nome da Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-Pecuárias de Angola (UNACA) no Huambo, disse que o apoio, sem qualquer reembolso, vai aumentar os níveis de produção e combater os níveis de pobreza entre a população.

Para o produtor Afonso Cachequele Longuessa o projecto vai colmatar a insuficiência de meios de irrigação, alternativas fundamentais devido a escassez de chuva, que são comercializados a preços elevados no mercado, muitas vezes sem retorno desejado para as cooperativas.

O projecto para a melhoria das infra-estruturas ao longo do Corredor do Lobito prevê construir, até 2028, 25 armazéns de refrigeração ecológica, 15 barragens subterrâneas de armazenamento de água da chuva, 37 sistemas de irrigação, assim como a entrega de 200 toneladas métricas de sementes melhoradas e a capacitação de 300 participantes.

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